Carnaval

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Desfiles Completos - 2012

GRUPO ESPECIAL



Unidos da Tijuca - O dia em que toda realeza desembarcou na avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão.


Mangueira - Vou festejar! Sou cacique, sou Mangueira!


Vila Isabel - Você semba lá... Que eu samba cá! O canto livre de Angola.


Salgueiro - Cordel branco e encarnado.


Imperatriz Leopoldinense - Jorge, amado Jorge.


Mocidade Independente - Por ti, Portinari, rompendo a tela, a realidade.


Porto da Pedra - Da seiva materna ao equilíbrio da vida.


São Clemente - Uma aventura musical na Sapucaí.


Grande Rio -Eu acredito em você! E você?


Portela - Bahia: E o povo na rua cantando... é feito uma reza, um ritual.


União da Ilha - De Londres ao Rio: Era uma vez... uma ilha.


Renascer de Jacarepaguá - O artista da alegria dá o tom na folia.



domingo, 6 de outubro de 2013

Desfiles Completos - 2013

GRUPO ESPECIAL



Mangueira - Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América. 





Portela - Madureira... Onde meu coração se deixou levar.





Vila Isabel - A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um.






Imperatriz Leopoldinense - Pará - O muiraquitã do Brasil. Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.





Inocentes de Belford Roxo - As sete confluências do Rio Han.





Tijuca - Desceu num raio, é trovoada! O Deus Thor pede passagem para mostrar nessa viagem a Alemanha encantada.






Salgueiro - Fama.



Beija-Flor - Amigo fiel, do cavalo do amanhecer ao Mangalarga Marchador.



Grande Rio - Amo o Rio e vou à luta: ouro negro sem disputa... contra a injustiça em defesa do Rio.





União da Ilha - Vinícius no plural. Paixão, poesia e carnaval.





Mocidade Independente - Eu vou de mocidade com samba e rock in Rio - por uma mundo melhor.






São Clemente - Horário nobre.





SÉRIE A




Santa Cruz - O dragão do mar e a lenda do Ceará.







Jacarezinho - Puxador não... Intérprete! Por mestre Jamelão.








Padre Miguel - O encontro entre o céu e a terra no Reino de Alá Àfin Oiyó.





Porto da Pedra - Me diga o que calças e eu te direi quem és.





Viradouro - Nem melhor nem pior. Que não sai da minha mente... Inspiração para o meu samba. Eu também sou diferente.




Estácio de Sá - A ópera de um menino... o toque do realejo rege o seu destino.




Rocinha - Mistura de sabores e raças: uma feijoada à brasileira.




Alegria da Zona Sul - Quem não chora, não mama...




Curicica - Quando o samba era samba.




Vila Santa Tereza - Axé - No caminho das águas sagradas.





Renascer de Jacarepaguá - Rio, uma viagem alucinante.




Império Serrano -  Caxambu: o milagre das águas na fonte do samba.



Império da Tijuca - Negra pérola mulher.




Cubango - Teimosias da imaginação.




Paraíso do Tuiuti - Ao mestre do riso com carinho: as caras do Brasil, Chico Anysio.




Caprichosos de Pilares -  Fanatismo: enigma da mente humana.




Sereno de Campo Grande - Na busca da paz, equilíbrio e harmonia. Bem aventurados sejam os que ouvem a voz de Deus.





Tradição - Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite.




União de Jacarepaguá - Dos barões do café à cidade universitária, Vassouras ouro verde do Brasil.




domingo, 29 de setembro de 2013

Morre Fernando Pamplona


Enredo afro-brasileiro... o legado de Fernando Pamplona.

É com muito pesar que nesta manha de domingo (29/09/2013)  o ayê (terra) se despede de Fernando Pamplona. O acadêmico mais popular, amante da cultura brasileira, formado na escola de Bellas Artes do Rio de Janeiro, se apaixonou pelo desfile das escolas de samba e ao julgar o carnaval de 1959, admirou seu Salgueiro... o acadêmico enamorou-se pelo Acadêmicos. Surgiu assim, uma história de amor, sem pieguice alguma... Fernando Pamplona amou o Salgueiro e a partir de 1960 foi convidado pelo então presidente da escola, Nelson de Andrade para assumir os desfiles do Salgueiro como carnavalesco. Era tempo de pobreza, carnaval feito por amor, recebendo em troca apenas (e para quem ama o carnaval verdadeiramente, como Fernando amou, isso torna-se TUDO) a satisfação de ver sua escola desfilar. Fernando não só nunca recebeu um centavo pelo seu trabalho como carnavalesco, como quase que sempre tirou do seu bolso, dentro do possível, o dinheiro para que pudesse terminar o carnaval da sua vermelho e branco.
Se antes, os desfiles eram feitos por membros da comunidade, pessoas simples dos morros e das periferias, agora, o Salgueiro tinha um acadêmico, um profissional para desenvolver os seus enredos... Muitos pensaram que aquilo seria o fim, que o carnaval estaria predestinado a perder suas origens, afinal, no que um homem estudado, de classe média, poderia contribuir para a manutenção de uma cultura desde sempre rejeitada pela sociedade e oprimida pelo Estado? Fernando, simplesmente, trouxe para cada membro do Salgueiro o orgulho de ser negro, de ser pobre, de ser salgueirense...
Com Fernando Pamplona os temas apresentados pelas escolas de samba se transformam, os enredos nacionalistas, que tratavam da terra e dos heróis forjados caem por terra para dar lugar as histórias e personalidades esquecidas pela História oficial. A década de 1960, passaria a ser a década negra dos enredos salgueirenses, enredos afro-brasileiros, foi isso que Pamplona idealizou para os carnavais do salgueiro, afinal, isso era tudo que faltava no carnaval, onde o povo negro, dono da festa, ainda resistia em não falar sobre sua história e seus personagens. A mudança idealizada por Fernando e concretizada pelos salgueirenses não se deu apenas nos enredos, mas também no samba-enredo, pois Pamplona sugeriu que ao invés de LÁ-RÁ-RÁ, os sambas passassem a usar ÔH, ÔH, ÔH, por ser mais negro.
A partir de então, o negro salgueirense despiu as roupas de corte e as perucas brancas e passou a fantasiar-se com figurinos de indumentária africana, isso depois de muito papo sobre a história brasileira e a marginalização da cultura negra, pois o pessoal do salgueiro a princípio não gostou muito da ideia de sair com roupas que lembravam a escravidão. Afinal de contas se vestir de reis e damas da corte era muito mais "bacana" (termo usado pelos foliões na época), uma vez que durante o ano inteiro já teriam que conviver com a pobreza das favelas... Mas conversando com a comunidade Pamplona foi mostrando a importância de apresentar tais enredos e como aquilo seria inovador no carnaval. Assim, foi feito.
Como podemos ver, Fernando Pamplona não revolucionou só os enredos, mas também os sambas, as indumentárias e a própria ideologia dos salgueirenses. A partir daí, o caminho estava aberto para as demais escolas de samba, o enredo afro passou a ter o seu lugar nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Além disso tudo, Fernando Pamplona, formou os principais nomes do carnaval carioca: Joãozinho Trinta, Rosa Magalhães, Renato Lage, Maria Augusta, Lícia Lacerda.

VEJA OS ENREDOS IDEALIZADOS POR FERNANDO PAMPLONA 

AnoEscolaColocaçãoGrupoEnredo
1960SalgueiroCampeão1Quilombo dos PalmaresArlindo-nilton 1
1961SalgueiroVice-Campeão1Vida e obra do AleijadinhoArlindo 2
1964SalgueiroVice-Campeão1Chico-ReiArlindo 2
1965SalgueiroCampeão1História do Carnaval CariocaArlindo 2
1967Salgueiro3ºlugar1História da liberdade no BrasilArlindo 2
1968Salgueiro3ºlugar1Dona Beja, a feiticeira de AraxáArlindo 2
1969SalgueiroCampeão1Bahia de todos os DeusesArlindo 2
1970SalgueiroVice-Campeão1Praça XI carioca da gemaArlindo 2
1971SalgueiroCampeão1Festa para um rei negroArlindo 2
1972Salgueiro5ºlugar1Nossa madrinha, Mangueira queridaArlindo 2
1977Salgueiro4ºlugar1-ADo Cauim ao Efó, moça branca, branquinha
1978Salgueiro6ºlugar1-ADo Yorubá à luz, a aurora dos deuses
1997Em Cima da Hora5ºlugarASérgio Cabral a cara do Rio

1 - Produzido com Arlindo Rodrigues e Nilton Sá
2 - Produzido com Arlindo Rodrigues


Como se vê no quadro, o enredo clássico de 1963 do Acadêmicos do Salgueiro "Xica da Silva" não é de autoria de Fernando Pamplona, como se costuma atribuir, e sim de Arlindo Rodrigues. No livro "O Encarnado e o Branco", Fernando relata que Arlindo havia lhe pedido para ajudá-lo a fazer esse enredo, mas que ele não aceitou:

FERNANDO: "- Enredo de merda, Arlindo!"
ARLINDO: "- Mas é negro, é de luta e conquista social, tá na nossa linha e ... É bonito paca!"
FERNANDO: "- Pô, cara, tu quer fazer negócio de babaca faz, segura a barra porque não estou nem aí, vou me mandar para Alemanha, tchau!"

E assim foi feito, Arlindo desenvolveu o enredo sozinho enquanto Fernando viajava pela Alemanha. De volta ao Brasil para passar o Natal e o Ano Novo, Fernando foi convidado para escolher o samba-enredo já que não havia participado da elaboração do enredo, então depois de ouvir os sambas, antes de voltar para suas viagens, Fernando deixou escrito o samba-enredo que achava merecedor da vitória, era o samba da parceria do Anescarzinho e do Noel Rosa de Oliveira. Samba que foi um estouro no carnaval e o Salgueiro foi novamente campeão!!!!!!!! Fernando recebeu a notícia, nas ruas de Paris.

Este ano, Fernando Pamplona lançou seu livro "O ENCARNADO E O BRANCO", onde conta suas aventuras pelo Brasil e por onde passou, contando fatos gloriosos de sua passagem pelo mundo do carnaval, de onde nunca esteve distante.


Há um mês Fernando recebeu o diagnóstico de um câncer raro, foi internado, recebeu alta e voltou para casa, onde morreu nessa manhã nublada de domingo. Fernando que acabara de completar 87 anos, deixa sua mulher Zeni, com quem foi casado durante 60 anos e três filhas.


sábado, 28 de setembro de 2013

Sinopse da Mocidade Independente de Padre Miguel, Carnaval 2014


"Pernambucópolis"


Manhã de Carnaval de 1985.
A Mocidade Independente de Padre Miguel partiu para o espaço sideral
levando com seu samba, toda alegria, beleza e as cores do nosso carnaval.
Todo o universo enfim, festejava e se encantava com a alegria, a ousadia e a irreverência de seu criador.
E hoje, alguns "Ziriguiduns" depois, esta mesma alegria, beleza e cores estão de volta, como numa viagem no tempo e nas estrelas...
É o grande dia do Carnaval Universal!

"Quero ver no céu minha estrela brilhar...
Está em festa o espaço sideral,
Vibra o universo, é carnaval!"

- Alô, alô Planeta Terra!
Alô, alô Rio de Janeiro!
Alô, alô Mocidade Independente!
De bigu na estrela guia, estou voltando.
"Eita... saudade tá danada não me aguento, não"
Saudade da minha gente, das minhas cores.
Estou de volta à minha terra... aos meus devaneios...
"Parece que estou sonhando, com tanta felicidade..."
E quero viver intensamente cada momento dessa saudade.
Quero sair por aí, andar, correr, brincar...
Quero, mais uma vez, ser e sentir tudo aquilo que já vi e vivi um dia. E os que ainda não vi e nem vivi, deixar a emoção desse encontro me levar, me transportar e me transformar.

"Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte"

Quero ser o coração do folclore, e pulsar a cada batida dos tambores, não importando de onde eles venham, se das bandas ou das orquestras, dos salões ou dos teatros, das ruas ou do mangue, do baque solto ou do baque virado. E são essas batidas que fazem fervilhar as veias, as pernas, o corpo.

E com o corpo, quero pular, dançar, subir, descer e balançar... Ao som do baião, do frevo, do coco, do forró e do xaxado. Rodar a ciranda, de pés no chão, pés na areia.

"Mas foi na casa de lia
Numa ciranda praieira
Que eu vi minha estrela-guia
Nos olhos da cirandeira"

Nunca fui homem de um só personagem, já fui índio, onça e arara; já fui pirata, camaleão e ET. E hoje quero ser novamente livre, quero ser rei, vassalo, batuqueiro, calunga, mascarado. Quero ser cacique ou curumim. Quem sabe caipora ou babau, ou até pastora e brincante. Quero ser boneco, de vários tipos e vários tamanhos: pequeno, grande ou gigante. Do dia, da tarde, da noite ou de qualquer hora. Ou quem sabe um Mamulengo, contador de histórias, num cordel; e que saia por aí, de sombrinha nas mãos, atrás de um afoxé, com o povo num bloco, mas daqueles bem grandes, muito grandes... o maior do mundo!

"A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval."

Quero ser as mãos de Vitalino, vida, forma e criação.
Vidas que nascem do barro, da madeira, da palha, da linha. Vidas que viram artes, artes que viram cores, cores que viram sonhos, sonhos que ganham as feiras e depois ganham o mundo. Quero riscar, tecer, rendar, trançar...
Quero pintar e bordar!!!!

Eu quero navegar...
Navegar nas águas da imaginação. Que essas águas me levem a caminhos e histórias do natural e sobrenatural, de mitos e lendas, de crenças e crendices. Vixe Maria, haja proteção!

Sou tudo isso e muito mais.
Sou o rio, sou o mar, o agreste e o sertão.
Sou o canto, sou a dança, sou o auto e o cordão. Sou o velho, sou o novo, o sagrado e o profano, a folia e o carnaval.
Sou mistério, sou a fé, sou Paixão e São João.
Acorda povo!...
Sou passado, sou futuro e do Norte sou Leão.

"Meu Deus, se eu pudesse
Fazer o que manda
O meu coração...
Voltava pra lá
Ou trazia pra cá
Todo o meu sertão"

E é hora de voltar, pelo tempo caminhar.
Mas eu quero mais samba, quero mais cores, mais alegria, mais Pernambuco!
Quero um pouco de tudo que vi e ouvi, senti e brinquei.
Vivi e vivo de sonhos, de transformar e criar. Vivo de emoções.
E todas essas emoções agora vão comigo, pois eu preciso dessa cor, dessa alegria, de uma gente e uma terra como essa.
O espaço precisa de uma Pernambuco, a minha Pernambuco.
Aliás, a minha "Pernambucópolis"

"Vejam
Quanta alegria vem aí...
...Minha cidade
Minha vida
Minha canção..."

E assim será!
Caboclinhos, boi-bumbá, frevos, afoxés, reisados e maracatus, mais uma vez farão a festa no espaço sideral.

Vibra o universo, é carnaval!
E lá vamos nós!
Borimbora!
Beijim, Beijim. Bye, Bye Brasil!

Fernando Pinto

Por Paulo Menezes
Numa noite de Carnaval de 2014.
Colaboração: Departamento Cultural da Mocidade Independente.

Sinopse da São Clemente, Carnaval 2014




"Favela"


Introdução

Somos a São Clemente, a Escola da irreverência. Quando o couro estremece com a pancada da fiel bateria, o Clementiano já sabe que é hora de brincar o carnaval na essência do que é esta festa: a alegria!
Mas não foi sempre assim, ou tão assim... No fim da década de 80 já éramos a Agremiação da espontaneidade, mas, junto com ela, vinha o grito: "olha a crítica!!!!" E foi dessa forma que alertamos o Brasil para o drama do menor abandonado, da violência e o perigo do samba sambar.

No carnaval de 2014, rimar São Clemente com irreverente vai continuar fazendo sentido. Subiremos a favela para mostrar toda a sua riqueza, malemolência e criatividade. Desvendaremos sua arquitetura, das origens à atualidade, dos costumes aos personagens. Em seus becos, vielas e barracos, encontraremos emoções, contradições e, claro, muita espontaneidade.

Hoje, Clementianos, favelados ou não, se misturam a esse corpo tão único e ao mesmo tempo tão heterogêneo, tão real e abstrato, tão sofrido e feliz... Portanto, seja bem vindo à favela da São Clemente, e conheça toda a dimensão da audácia humana!


SINOPSE

Chegava gente de todo lugar e em cada olhar havia uma chama, uma religião, uma fé...

Quem somos nós?
Herança do olhar de esperança dos negros enfim livres
A fé dos pobres soldados que foram a Canudos vencer o próprio espelho
dos sem cortiço, excluídos da cidade que limpava-se...
Quem somos nós?
Bisnetos dos imigrantes que fugiram da guerra
Netos da seca do sertão
Filhos da miscigenação
Somos a pluralidade na origem, a uniformidade na carência

Como fizemos?
Da necessidade!
Erguendo formas estranhas, audaciosas
Tão perigosas quanto geniais
Como fizemos?
Desafiando a lógica e a gravidade
Arquitetos e engenheiros
Mas sem régua, sem esquadro
Sem segurança, nem dinheiro
Como fizemos?
Desejo em forma tijolo!!!
Coragem em prego e concreto!!! 
Como malabaristas do dia-a-dia, nos equilibramos na necessidade
Como fizemos?
Caixote vira madeira, esteira é colchão
Vela na prateleira garante iluminação


Somos sinistros!!!
Porque quebramos o muro invisível da cidade partida sob marteladas de ritmo
Crescendo como família
"gente simples e tão pobre, que só tem o sol que a todos cobre"
Mas que faz arte de viver como nenhum outro
Somos sinistros!!!
Porque levamos pra cidade nossas manias e as trazemos de volta ainda mais ricas
No improviso, na invenção cotidiana, na parceria, no sofrimento, na festa, na religiosidade
A alegria de transformar dor em poesia.
Somos sinistros!!!
Porque vão falando como nós, dançando como nós, grafitando como nós

Nem adianta
A diferença incomoda
Fomos reprimidos, removidos, demolidos de novo
Somos o povo criativo e genial, mas barulhento
Que a sociedade gosta de ver... de longe...
Nem adianta
Nosso povo tem a força e a potência transformadora de um átomo
É cimento e sentimento
É concreto e abstrato
Nem adianta
Maltratar, proibir
Derrubam um barraco aqui, surgem cem ali

Parece pesadelo...
Viver na gangorra da vida
Entre a polícia e o bandido
Nosso guri abatido
Alvo de bala perdida
Parece pesadelo...
A dor cobre o pôr-do-sol
A esperança adoece
O descaso alimenta a fome
E a dignidade padece

Fala favela!
Sai dos labirintos, dança um afroreggae
Pinta a arte de nossos poetas
Dança, canta e ensina
Samba, pagode, funk e muito mais
Criação desenfreada
"Som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado"
Exige mudança, refaz a esperança
E protagoniza teu próprio destino
Fala favela!
O teu filho um dia humilhado
Hoje é estrela que brilha em todos os palcos
E tem muito orgulho de ser cria daqui
Fala favela!
Em uma central única, desata os nós
Se antena no mundo
Erguei nossa voz

Tudo misturado, junto, conectado!
Pobres, gays, loucos ou burguês
Sem fronteiras, sem países
Toda cor, toda religião!
Quem diria?, o futuro vindo da contramão
Tudo misturado
Sem distancia, diferença, preconceito ou separação
Na mistura das cidades, nossa língua é a união
Tudo misturado
Porque a cidade está em festa
A gelada está no bar e Dona Marta já fez o feijão
São Clemente hoje é nossa família, nosso povo, nossa paixão.




Enredo:
Núcleo Criativo GRES São Clemente

Desenvolvimento de Enredo:
Bia Lessa

Sinopse:
Andre Diniz e Wladimir Corrêa

Presidente:
Renato de Almeida Gomes

Carnavalesca:
Bia Lessa


Sinopse da Imperatriz Leopoldinense, Carnaval 2014



"Arthur X - O reino do Galinho de Ouro na
corte da Imperatriz"



"A ÚNICA FORMA DE CHEGAR AO IMPOSSÍVEL É ACREDITANDO QUE É POSSÍVEL"
De Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas.

Autoriza o árbitro! Rola a bola na Avenida. Começa a decisão do carnaval carioca. Doze Escolas estão na briga! Vila quer buscar o feito do último campeonato. Império da Tijuca está na primeira divisão. Mocidade e São Clemente jogam na defesa. Ilha cadencia o jogo! Mangueira e Portela tentam a posse de bola pela intermediária. A sobra é da Grande Rio que chuta pro gol mas bate na zaga do Salgueiro. A torcida grita! Tijuca dispara pela ponta esquerda mas é desarmada pela Beija-Flor. Que jogada! Imperatriz domina com categoria, faz a finta e levanta a torcida. Quanta habilidade! Imperatriz cruza o meio de campo, deixa a marcação pra trás e parte em arrancada na direção do gol. O gol é o seu portal! Ela cruza o gol, abre os portões da poesia e mergulha, de braços abertos, na ilusão de um carnaval.

Diante da imaginação permissiva ela não se assusta. Sente-se confortável com o mundo novo que se descortina diante de seus olhos. O País do futebol, que até então muitos falavam, de fato existia e ela estava lá.
Nessa pátria de chuteiras, a nobre representante do carnaval toma conhecimento de histórias populares. Curiosidades em torno da existência de um rei de pernas tortas, fatos sobre a coroação de um rei negro. Porém, dentre as muitas histórias, uma lhe desperta interesse: Arthur X havia nascido plebeu em um subúrbio do país do futebol. A família Antunes Coimbra estava feliz e não conteve a ânsia de espalhar a notícia. Em tempo, damas, bufões, soldados e plebeus espalhavam o ocorrido pelas casas simples da rua Lucinda Barbosa.
O passar dos anos encarregou-se de transformar o plebeu em rei. Suas conquistas e lutas pessoais lhe conduzem ao trono. Travou e venceu batalhas. Foi condecorado com a farda verde e amarela – a mais alta patente dada a um combatente do país do futebol. Sagrou-se campeão trajando vermelho e negro nas disputas mundiais do octogésimo primeiro ano do século em que vivia. Foi coroado! Rei coroado no templo do futebol. E por ser soberano de uma nação popular, espalha-se a fama e a grandeza de suas glórias.
Diante da história que corre na boca de nobres e plebeus, aumenta o interesse da Imperatriz sobre o rei. No afã de encontrá-lo toma conhecimento da realização de competições que animavam as massas, tendo tal evento o título de "disputas dominicais." Realizadas em um lugar, que ficou popular como "Templo do futebol" – espécie de arena erguida em torno de um vasto campo verde – onde o povo se encontrava e se dividia em torcidas.
Junto à multidão que se espremia pode observar a chegada de combatentes de bandeiras e cores distintas. Gente que vinha desafiar os cavalheiros do Rei. Avistou ao longe um brasão que como símbolo ostentava uma "estrela solitária". Ouviu os gritos de euforia que precederam a passagem de uma nobreza fidalga vestida em verde, encarnado e branco. Pôde ouvir o toque que anunciava o atracar de uma caravela portuguesa junto ao porto e o delírio dos que aguardavam sua chegada.
Em meio ao povo que vibrava, não obteve sucesso na tentativa de aproximar-se do soberano. Porém pôde ouvir o anúncio de que o reinado de Arthur X entraria em festa: O aniversário do Rei seria comemorado no auge dos festejos de Momo que estavam por vir. Nobres de nações estrangeiras por onde seus feitos haviam ganhado fama já confirmavam presença e enviavam presentes. Do outro lado do mundo, onde se fazia noite quando aqui era dia e dia quando aqui era noite, a imagem do rei era esculpida em ouro.
No dia em que completava anos, os clarins faziam ecoar uma melodia ritmada que aludia a "vencer, vencer, vencer!" Seus súditos em festa vestiam o vermelho e o preto – as cores do manto sagrado que o Rei tinha predileção. Ela, a Imperatriz, ordenou que sua corte vestisse sua melhor roupa feita em verde, branco e ouro – talvez Arlindo, talvez Rosa – e viesse em cortejo, tecer honras ao monarca. Fez soar a bateria. Chocalhos, tamborins, surdos e cuícas embalaram o momento sublime. Ao Rei, como presente, a Imperatriz ofereceu-lhe valiosa jóia: sua coroa, feita em ouro e pedras verdes. Diante do feito, o povo de Ramos saúda o rei. Ele, dispensando o tratamento destinado aos soberanos, sorri, quebra o protocolo, e responde:

- Sem formalidades! É carnaval. Podem me chamar de Zico!

Carnavalesco: Cahê Rodrigues
Texto de: Leandro Vieira
Colaboração: Família Antunes Coimbra


Sinopse da União da Ilha, Carnaval 2014



"É brinquedo, é brincadeira;
a Ilha vai levantar poeira!"


Abra o baú da memória, pegue um brinquedo e invente uma história. Relembre a alegria desta herança. Levante a poeira, volte a ser criança.

Sonhe! Deixe para trás a realidade. Sua lembrança é a porta da felicidade. De origem diversa. Antigo ou moderno. Pelo encanto que desperta, ele será sempre eterno. Pode ser o tipo que for: de qualquer tamanho, matéria, forma ou cor.

Quer saber onde ele é feito? Em uma fábrica fantástica! E depois, presente na vitrine ou naquele comercial de TV. Como se lhe dissesse: "-Me compre, eu quero você!"

E não serve só pra divertir. Ele tem tanto para ensinar, quanto temos para aprender. A cada dia descubra novidades. Com cada pecinha montada, crie novas prendas, novas cidades.

Assim vivendo e aprendendo, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo. Lembre que jogar era o seu viver. No meio da garotada, com a sacola do lado, só jogava pra valer.

Surgem novas formas de competição. Avance no tempo e irá conhecer, numa tecnologia de última geração, o invencível herói, você pode ser.

E se caso pegar algo na estante, verá que ele também está aqui. Fala, pensa, anda e age como gente. Atua nos palcos e nas telas; saídos de algum livro ou gibi.

Saia por aí como um livre petiz! No campo ou na cidade, no morro ou no asfalto. Pra lá do seu quintal por esse imenso país.

Brinque com o que a terra lhe dá: barro, madeira, palha, lata... Seja um pequenino travesso; párvulo; piá. Menino ou menina; pirralho; moleque. Um maroto cazuza; guria ou guri. Garoto ou garota; fedelho; pivete; baixinho; erê; curumim; bacuri. Pequerrucho grande, insulano brincante. Folião errante; um gaiato pimpolho.
Olha a União da Ilha aí meu povo, segura a marimba! Empina pipa, vá brincar de roda; de pique-esconde. Correr e pular, que a brincadeira não tem hora.

"-Ciranda cirandinha vamos todos cirandar..."

Molecada simbora!!!
A reinação terminou.

Encerrada a viagem,
redescubra a importância
de uma bela infância.
Dignidade e respeito.
Amor e proteção.
Afinal de contas,
lembre que ser criança...
NÃO É BRINQUEDO NÃO!

Argumento do enredo

Brincar é coisa séria!

Em 2014, desfilaremos brinquedos e brincadeiras, numa incursão pelo universo infantil.

O enredo resgatará a memória afetiva da melhor fase de nossas vidas.

É também um resgate da identidade da União da Ilha do Governador. Escola que se caracterizou por desfiles leves e "brincalhões".

Então, vamos nos divertir? Até porque a "hora do recreio" que desfrutamos a cada ano, é brincar carnaval.

Mostraremos um pouco de história e a importância de fatos referentes à infância.

Nem sempre destinado a crianças, alguns brinquedos foram utilizados por antigos povos em rituais e como objetos de adivinhação. Como entretenimento, há registros desde a antiguidade.

O conceito da palavra criança surgiu no Renascimento. Período que florescia a crença na humanidade e na sua capacidade.

Ao "inventar a infância" a modernidade cria a idade de ouro de cada indivíduo, fase em que a vida deveria ser perfeita, protegida e tranquila. Mas na realidade sempre se esteve afastada desse ideal.

Pintores e gravuristas em várias épocas retratavam com riqueza de detalhes, deixando um registro importante. Levando o adulto a prestar mais atenção no universo lúdico. E sua inseparável relação (desde a Idade Média) com a história do comércio e da evolução técnica de fabricação.

Brincando, a criança é conduzida ao imaginário. Experimenta, descobre, cria, exercita suas habilidades, desenvolve o intelecto e as relações afetivas. Estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança. Contar, ouvir histórias, dramatizar, jogar com regras entre as outras atividades constituem meios prazerosos de aprendizagem. Além disso, expressam suas criações e emoções, refletem medos e alegrias, devolvem características importantes para a vida adulta. Brinquedos despertam vocações, pois muitos evocam na brincadeira o primeiro passo para uma carreira.

Considerados muitas vezes como frívolos, sem importância, foram aos poucos ganhando destaque entre educadores.

"o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. Ela precisa brincar para crescer, precisa de jogo como forma de equilíbrio com o mundo".

Quem disse isso foi Jean Piaget, psicólogo suíço, pedagogo considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Piaget publicou os primeiros artigos dobre a criança, o pensamento infantil e o raciocínio lógico.

A inteligência se constrói a partir do "jogar-brincar".

Brincar deriva do latim vinculum, que significa laço, união e criação de vínculos.

Diferente de outras línguas que ligam brincar diretamente com jogar, como em italiano – giocare; espanhol – jugar; francês – jouer; inglês – play (jogar, tocar...), etc.

O faz de conta refere-se ao "mundo do imaginário, da fantasia", "Fantasia é criar pela imaginação", segundo Antônio Houaiss.

A começar pela literatura infantil, passando pelo teatro, aos desenhos animados na televisão e no cinema, os personagens oferecem imagens que são muito significativas para a criança, e como algo de sucesso atraí a atenção da garotada, logo se tornam brinquedos.

A falta de espaço imposta pela vida urbana nos faz refletir sobre um ideal de infância com liberdade. Seria utopia? Causa perdida? Seria um lugar imaginário? Ou este lugar poderia ser encontrado em algum subúrbio ou por rincões espalhados pelo Brasil?

Vamos reviver algo que pode ser o passado ou o presente das crianças brasileiras, com suas tradições, características regionais, contato com a natureza.

O brinquedo artesanal é reflexo do ambiente em que ele foi construído e é o momento em que o objeto vira arte. E as brincadeiras são heranças de uma cultura popular miscigenada, com predomínio rural.

A preservação destas brincadeiras é muito importante para a manutenção folclórica do país.

Moral da história...

Cuide da criança que habita em você. Assim, saberá cuidar e respeitar as demais. Sem felicidade nada disso faria sentido, nem o último lançamento ou a velha cantiga de roda; nada é mais importante que um sorriso.

Vamos brincar?