A Unidos do Jacarezinho divulgou o logotipo pra o enredo em homenagem a voz maior do samba carioca, Jamelão. O enredo que se chamava "Puxador não, intérprete!", sofreu pequena mudança em seu nome, passando a ser "Puxador não...Intérprete! Por Mestre Jamelão". A escola será a primeira a desfilar pelo Grupo de Ouro, na sexta-feira de carnaval.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Lançamento do CD "Baú da Dona Ivone"
| Dona Ivone Lara com amigos da música |
Na noite desta quarta-feira - 25 de julho de 2012 - foi lançado no Teatro Rival Petrobrás, o projeto "Baú da Dona Ivone", um CD com músicas inéditas da primeira dama do samba. O Cd é um projeto com parceiria do Município do Rio de Janeiro. Dona Ivone não canta no CD, mas suas lindas composições são interpretadas por grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Nelson Sargento, Beth Carvalho, Nei Lopes, Delcio Carvalho, entre outros.
O show foi dividido em duas partes: na primeira, apresentaram-se alguns dos cantores que participaram da gravação do Cd:
André Lara – Áurea Martins – Monarco – Nelson
Sargento – Delcio Carvalho – Juninho Thybau – Luiza Dionizio - Ciraninho da Portela; na segunda, Dona Ivone deu o ar de sua graça, sentada numa cadeira de rodas cantou seus grandes sucessos ao lado de seu parceiro, produtor do CD, Bruno Castro e de seu neto, André Lara.
No final do show, houve parabéns a Nelson Sargento, que estava aniversariando e o prefeito junto com o secretário de educação saudaram a Rainha do Samba. Isso porque o Cd não será comercializado, pelo menos não agora. O "Baú da Dona Ivone" será distribuido pelas escolas do município do Rio de Janeiro, para que todas as crianças conheçam a obra de Dona Ivone Lara, que foi educada no internato do Colégio Municipal Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca.
Aos 91 anos de idade, Ivone Lara demonstrou estar muito lúcida, cantou com voz firme suas músicas, agradeceu ao público e aos amigos e brincou com todos. Foi reverenciada por Nelson Sargento, que disse mais uma vez: "SE A MÚSICA TIVESSE FORMA HUMANA, SERIA IVONE LARA"!!!!!!!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Sinopse do GRES Inocentes de Belford Roxo, Carnaval 2013
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"As Sete Confluências do Rio Han" | |
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A água me contou muitos segredos
Guardou meus segredos Refez meus desenhos Trouxe e levou meus medos (Caetano Velloso)
O GRES Inocentes de Belford Roxo tem a honra de abrir o Maior Espetáculo da
Terra, apresentando o enredo As Sete Confluências do Rio Han. Conta com a
proteção de Yondung Halmoni, a Deusa do Vento, e o desejo de águas calmas para
fazer fluir sua história, acompanhada do bater dos tambores Buk e Janggu, que
vêm dar acento a nosso samba. A Escola traz as tradicionais moradas coreanas que
há 50 anos vem imigrando para o Brasil. Vai contar 5.000 anos de história em uma
saga poética e ilustrando algumas décadas da jovem nação que surpreendeu o mundo
com seu avanço, crescendo com a força de um tigre. Vai entrelaçar passado –
marcado por batalhas, resistências e luta, presente – com a afirmação de uma
nova identidade – e o futuro que se afigura brilhante, no ritmo das águas e ao
sabor das marés. Vai buscar no fundo das águas a força das mulheres
mergulhadoras, as haenyos, e vai contar o recomeço desta antiga nação, bela e
resistente como sua Rosa de Sharon, a Mungunghwa, flor símbolo da Coréia do
Sul.
O homem é resultado das gerações que o procedem, de um longo processo
acumulativo que desenha seus traços e molda sua cultura. Mas é um ser mutante,
cuja vontade leva ao crescimento e às mudanças, ele domina seu destino, reverte
caminhos, traça novos rumos para si. Assim é a Coréia, uma nação que decidiu
mudar, escolheu um futuro para si e transformou-se radicalmente em um curto
intervalo de tempo.
No Brasil a crescente colônia coreana trouxe a riqueza de suas tradições e
moldou-se ao país da antropofagia. A bordo do gigante navio holandês
Tjitjalenka, os primeiros coreanos trouxeram seus sonhos de prosperidade.
Navegar é neste sentido uma construção de ilusões. No Bom Retiro brasileiro a
saudade e a esperança se encontram, a caminho da Liberdade. Nestes pontos a
colônia se concentra para manter vivas as tradições dos homens que tem Hananim
no coração.
O enredo da Inocentes flui como água, usando a tradição e a contemporaneidade
para mostrar a riqueza dual da nação. De forma lúdica vamos desdobrar cultura,
religião, indústria e progresso como aspectos confluentes de um mesmo povo.
Rituais, danças, alegorias, cores e sons peculiares vão contribuir para a
personificação da Coréia na Marquês de Sapucaí.
Vão rufar os yengos, invocando os espíritos e abrindo a dança para os céus –
o calendário lunar avisa que é dia de festa para celebrar a boa colheita. A
colheita que para nós é um belo desfile.
As tradições milenares e a nova tecnologia se unem com a benção de Maytreia e
a combinação dos traços dos povos que compõem um mosaico de cores e tons que
simbolizam mais do que a inificação de bandeiras, reinos, dinastias, tradições.
A soma é maior que as partes. O movimento das águas mistura e purifica. Suas
correntes não aprisionam, libertam para a utopia que veleja entre o real e o
imaginário, confluindo neste Rio de Janeiro, a cidade do Maravilhoso, que tem
também a sua mistura, de ginga, paixão e fé, que orienta o Brasil.
Carnavalesco – Wagner Gonçalves
Pesquisa e texto – Roberta Alencastro Guimarães e Wagner Gonçalves |
Sinopse do GRES Portela, Carnaval 2013
"Madureira... onde o meu coração se deixou levar" | |
Rio de Janeiro, 1970.
Avenida Presidente Vargas. “Nesta Avenida colorida a Portela faz seu carnaval...” Com o rosto molhado de suor e lágrimas, vejo a minha Escola conquistar a plateia com mais um desfile. Agora com um sabor especial, se aquecendo... “senti meu coração apressado, todo o meu corpo tomado, minha alegria voltar...” E então pensei: “Meu coração tem mania de amor...” E que amor é esse que me conquista a cada dia? Que amor é esse que move toda essa gente? De onde vem isso tudo e como essa história começou? E é isso que vou descobrir. E assim, com a alma aquecida de emoções, lá fui eu para Madureira, de trem, cantando samba, assim como Paulo Benjamin fazia décadas atrás. “Eu canto samba Porque só assim eu me sinto contente Eu vou ao samba Porque longe dele eu não posso viver...” Quero trilhar os caminhos desse povo, como um “peregrino”, descobrir sua gente, sua cultura, sua fé, o seu canto e o seu samba. Descobrir sua história. Pisar onde outrora pisaram tropeiros, escravos, boiadeiros, mercadores e imperadores, caminhos de trabalho e suor, onde antes só se viam fazendas, engenhos e fé, afinal toda essa história começa pela fé. E o povo dança, o povo canta; dança o branco, dança o negro. “Pisei na pedra A pedra balanceou Levanta meu povo Cativeiro se acabou” Negros fugidos, negros forros. Festa, jejum e esmola. Samba, dança, música e religião. Enfrentar a dor através da arte. Casas de umbanda e casas de candomblé, liderança e mistério, atraindo a atenção para a “roça”. Caminhos de terra, caminhos de ferro. E o povo vai chegando, de tudo quanto é direção. Imigrantes de dentro e de fora. Os caminhos viram estradas. Estradas de terra, estradas de ferro. Chega o progresso e com ele os ambulantes, que depois viram mercadinhos, os mercadinhos viram mercados e os mercados viram mercadões. E eu... vou seguindo meu caminho. Vou ouvindo batuques, ritmos e sons. Sons sincronizados, parecendo sapateado. Mas são apenas sons de pés, que dançam, chutam e pulam. Pés que vão construindo outros caminhos. Não importa se num tablado, no asfalto ou na grama, o importante é a ginga, que por vezes me lembra a de um malandro. Como tantos que esta história construiu. Ou como tantos que aqui chegaram para construir outras histórias. Malandros loiros, brancos, mulatos, sararás, crioulos. Assim como as músicas, loiras, brancas, mulatas, sararás e crioulas, ou como se diz agora: black. “No carnaval, esperança Que gente longe viva na lembrança Que gente triste possa entrar na dança Que gente grande saiba ser criança” E o batuque continua. Marchinhas, mascarados, coretos, baianas, blocos de sujo, carnaval... São os caminhos da folia! Caminhos da fantasia, onde cada um é o que deseja ser, onde mulher pode virar homem e homem, virar mulher. E é através da fantasia, do sonho, que nascem duas das maiores Escolas de Samba da história. E que orgulho hoje ver Portela e Império, juntas, a cantar que esse nosso lugar “que é eterno no meu coração. E aos poetas traz inspiração pra cantar e escrever”. Madureira é assim. Amor, atividade intensa, vivida com orgulho suburbano, lugar de morada da altiva nobreza popular, pois aqui reside a Majestade do Samba. “Não posso definir Aquele azul Não era do céu Nem era do mar...” Tantos são os caminhos, e por eles vou atrás de suas histórias, me sentindo cada vez mais parte integrante dela, deste lugar e destes caminhos, que hoje se encontram mais uma vez, afinal... Sou Paulo, sou Paulinho, da Viola e da Portela. E tenho muito orgulho em contar esta história para vocês, afinal... “o meu coração se deixou levar.” E, agora, o mesmo trem que me trouxe, me leva de volta, e continuo batucando, não mais como Paulo Benjamin fazia, mas como todos os Portelenses continuam fazendo ainda hoje, preservando a sua memória e o seu lugar, que eternamente será conhecido como a “Capital do Samba”. “Madureiraaa, lá lá laiá.”Paulinho da Viola, pelas mãos de Paulo Menezes (e mais uma vez os caminhos se cruzam). Este enredo é dedicado aos noventa anos da Portela e a todos os portelenses que, infelizmente, não estão mais entre nós, mas que continuam abençoando a Portela lá de cima, do Olimpo dos sambistas.Enredo e pesquisa: Paulo Menezes e Carlos Monte |
Sinopse do GRES Imperatriz Leopoldinense, Carnaval 2013
| "Pará - O Muiraquitã do Brasil" | |
"Sob a nudez forte da verdade, um manto diáfano da fantasia."
(Eça de Queiroz)
Bateu com o pé direito no chão com mais força, depois cuspiu para frente!
Pronunciou duas ou três vezes com voz rouca:
Hê, hyá, hyá, hyá, e seguiu dizendo:
Cúara tece o inicio do dia
É de manhã! O oby tinge a retina dos olhos de quem vê Chocalho de cobra, onça pintada, ariranha, garça branca e guará! Cheiro de mato. É o Uirapuru quem canta primeiro. Levo as mãos à pedra verde: Dê-me a sorte, oh Muiraquitã!
O ibitu sopra o destino das águas
Faz o verde do aningal se apekúi Por de trás da folha verde se vê o povo Tupinambá! No corpo, seu manto sagrado de pena Na alma, a incorporação do poder de um gavião real! Festança de índio, dia para ritual! É Karajá, Tapajó, Kayapó, Arara, Araweté, Munduruku e Assurini. Sou morubixaba de tudo que se vê por aqui!
No verde encontrei riqueza, "jóia" de índio!
A riqueza que "karaiba" gostou: O sabor do açaí, a fibra do cupuaçu, tucumã, taperebá e bacuri. Peixe do rio, caroço da inajá! É meu, mas eles querem! A cobiça cruza nossas águas em barco grande Os olhos do Mapinguari vê A boiúna faz as águas se apekúi É gente que chega! Gente de todo canto A taba pinta o corpo pra luta
Tupã faz o céu roncar!
Tá guardado no seio da natureza a riqueza que eles procuram De tudo um pouco eles querem levar Do ouro da serra à seiva que escorre da ferida no tronco da árvore Faz seus olhos brilharem!
A "fortuna" que a borracha do tempo ainda não pode apagar!
Tá aqui até os dias de hoje Em fachada de casa Em cristal de lustre que "alumeia" a beleza do theatro.
Até hoje é assim!
Pra falar de riqueza pelas bandas daqui, tem que voltar pra floresta O dono da terra é quem ensina como é que faz pra lidar com a natureza Pois é dessas matas que as sementes colhidas vão enfeitar outros chãos. Dar adeus a floresta nativa, ser polida, jóia cabocla... sonho de artesão.
Nesse dia, quando o homem aprender com a gente daqui,
a natureza respeitar Todo povo vai sair na rua pra cantar. Nas terras do Marajó, Santarém ou em Belém. Nossa gente vai festejar:
Traz jambú, camarão seco, tucupi e mandioca.
Oferta a toda gente o tacacá! Leva o Boi pra rua Faz festa pra saudar o Boto! Põe a Marujada pra dançar!
Saia de roda e estampa florida
Roda menino, gira menina Canta a ciranda mais bonita Dança o Carimbó e o Siriá! "Treme" o Povo do Pará!
O artesão fez a sua peça mais bela para ofertar:
Cestaria, cerâmica, um trançado de juta Da cabaça ele fez cuia, do Miriti arte para brincar!
O Romeiro ergue as mãos
Fita com os olhos o azul que tinge o céu. A santa ouviu a prece do caboclo:
Outubro se faz agora!
Meu povo já está na rua Do altar do carnaval se avista o andor e a berlinda florida A voz do povo faz o canto ecoar mais uma vez Quem pede é o folião, Por hoje, romeiro de fé:
Oh Santa!
Dai-me nas Cinzas desta quarta-feira, O caminho para mais uma vitória E uma alegria para a vida inteira!
O Pará, seu sabor, seu cheiro, sua gente, suas tradições,
estão na Avenida. É a Imperatriz quem lhe apresenta aos olhos do mundo: No futuro, um exemplo a ser seguido.
Carnavalescos:
Cahê Rodrigues, Kaká e Mario Monteiro
Pesquisa e texto:
Cahê Rodrigues e Leandro Vieira
GLOSSÁRIO:
Hê, hyá, hyá, hyá – Canto tupinambá Cuara – sol Oby – verde Ibitu – vento Apekúi – alvoraçar Morubixaba – cacique, chefe da tribo karaíba – homem branco Mapinguari - Mapinguari tem o corpo todo coberto de pelos, com a aparência de um enorme macaco. Possui um único olho na testa e uma boca gigantesca que se estende até a barriga. Boiuna - Cobra grande Taba – Aldeia, Lugar Muiraquitã- Espécie de amuleto da sorte para os índios Kayapos, Mundurucu,Asirini, Tapajós, Tupinambás: Tribos Indígenas O Aningal - é uma plantação característica das ilhas aluviais dos rios amazônicos, principalmente às margens dos rios e igarapés amazônicos. Cupuaçu,Tucumã, Bacuri, Taperebá – Frutas da região Jambú - É uma erva típica da região norte do Brasil, principalmente região amazônica e no estado do Pará. Tucupi – É um tempero e molho de cor amarela extraído da raiz da mandioca. Tacacá - É uma iguaria da região amazônica brasileira, em particular do Pará. O Síria - Dança brasileira originária do município de Cametá, localizado no estado do Pará. O Carimbó - A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense, misturando dança e canto. A Marujada – Uma das mais belas manifestações religiosas do folclore paraense. O "Treme" - é o mais recente ritmo do Pará. Uma mistura de música eletrônica misturada a outros ritmos populares do estado. Berlinda – Espécie de cúpula que leva a nossa Senhora do Nazaré no dia da procissão. |
Sinopse do GRES União da Ilha do Governador, carnaval 2013
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Sinopse do GRES São Clemente, Carnaval 2013.
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"Horário Nobre" | |
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''Tira o telefone do gancho, a gente se vê depois da novela.
Não estou, não aceito convite, que ninguém fale comigo. Quero lagrimar, sorrir, torcer pelo par romântico, felizes para sempre!'' No ar: novela e desfile de Escola de samba, dois triunfos da brasilidade que rodam o mundo inteiro, como gloriosas narrativas artísticas e populares, rituais que constroem a identidade do povão brazuca: ''Tamos'' juntos e misturados, porque não importa quem seja – patroa ou empregada, vovô ou netinho; preto do asfalto, branco da comunidade; na taba indígena, do Oiapoque ao Chuí, todos nos procuramos e nos reconhecemos na mais legitima arte verde e amarela, carnaval e folhetim.
Então vem comigo, me acompanha porque hoje eu sou novela: o ibope da São
Clemente nãp para de crescer porque ela não desliga nunca! De folhetim em
folhetim, há quase cinquenta anos, ouve-se ''silêncio no estúdio, gravando''.
Pois agora vai ser ''barulho no estúdio, sambando! Valerá a pena me ver de
novo.
Tem abertura, ações paralelas, história central. A trama novelesca é um repertório de clichês, porque a vida sempre imita a arte deste espelho mágico: o golpe da barriga, a criança prodígio, a mocinha sofredora que vive sorrindo, metade do elenco trabalhando numa empresa familiar, e na beira da morte o segredo é revelado – a rica enjoada é teúda e manteúda, o bofe é tábua que leva prego, o tipo que parecia honesto é o maior corrupto. Vale tudo, desde que tenha empatia, pegue, emplaque! Tem estória de riqueza e pobreza, pode ser moderna e retratar o passado, pode ser num tempo que ainda não existiu, ou um reino que jamais existirá; tem pescador do litoral ou vaqueiro do interior, gente do campo, da cidade. Arquétipos que não morrem, eternos que são em nossos corações: personagens que até acabam, mas não desaparecem nunca! Viva tantos conhecidos amigos que habitam a memória emocional tupiniquim, porque todos nós temos em nossas famílias, alguém que é a cara do personagem daquela novela, como era mesmo o nome? Seja pelo carisma que despertou, por uma tirada cômica ou até pela maldade extrema, tudo termina bem, porque a gente vai sempre se ver por aqui. Uma emoção plimplinizada na Sapucaí, que hoje vira telinha de fábrica de sonhos: anunciando que vem aí mais um campeão de audiência, nossa Escola samba o produto que mais faz a cabeça do Brasil, em credibilidade e legitimação, pois além, de assistir, a gente repete que nem papagaio o bordão da novela que gruda que nem chiclete, donde se conclui que isso não é brinquedo, não: em todas as esquinas é ''inshalá, muito ouro!'' pra cá, ''na chon'' pra lá. Tô certo ou to errado? Tô podendo... E quem fala, se veste, se penteia e se maquia igual aos habitantes deste mundo mágico (quase real), que lança moda transformando milhares de cidadãs em Jade ou Maya (dá-lhe lápis de olho e rímel para marcar os olhos) que vão expor seus corpos na Medina ou em Saramandaia Malta. É só dar uma olhadinha na barraca do camelô: não esqueça salto alto e meias de lurex para ir a Discoteca, porque se o figurino da TV ganhou as ruas, é sinal de que a trama ''vingou''.
Se é para citar alguns, rápido vem a cabeça: o Brasil e um Bataclã, Sucupira
é Brasília e Odorico Paraguassú mora no Congresso Nacional! João Coragem ficou
com qual das três Glória Menezes? Ravengar tem caso com a Rainha Valentine?
Gabriela não podia ter traído Seu Nachib; Ih, a Perpétua é Careca, Tieta
arrancou-lhe a peruca; Natasha era uma vampira muito gostosa, e Isaura, uma
escrava que nasceu branca. E pela última vez, quem matou a praga da Odete
Roitman ou o querido Salomão Hayala? É que sem um bom vilão não tem namoradinha
do Brasil que sobreviva, porque maldade e bondade são irmãs gêmeas (tipo Rute e
Raquel) deste universo verossímil, ainda que nele, a gorda Dona Redonda possa
explodir, e muita gente voltar da morte.
Como será que termina? O último capítulo é um frisson nacional, a opinião
pública mobilizada com todo Brasil parado diante da televisão: vilão castigado
(morre, enlouquece, se arrepende ou foge) e cena de casamento do mocinho com a
heroína (só podem ficar juntos no final). Todo brasileiro tem um pouco de autor
de dramalhão, até desconfia como termina, mas isso não tem a menor importância.
As cenas da próxima novela mostram que na segunda-feira começa tudo de novo, e
não percam o primeiro capítulo.
Somos os filhos de Janete e Dias, sobrinhos de Ivani!
Tomara Deus, o Beato Salú e a Venus Platinada, que nunca deixaram de nascer
os maravilhosos autores. Semeadores do sonho, são criadores que democratizam as
questões urgentes para o nosso povo (drogas, aids, trabalho infantil,
coronelismo, reforma agrária, corrupção política, minorias, racismo etc), e
ajudam essa galera a compreender sua maravilhosa gênese de ser: tudo brasileiro
noveleiro, cujas vidas são obras em aberto, assim como as novelas.
Texto: Milton Cunha, a partir da ideia de Roberto Almeida Gomes.
Carnavalesco: Fábio Ricardo |
terça-feira, 24 de julho de 2012
Grande Rio define enredo para o carnaval 2013
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Sinopse do GRES Unidos de Vila Isabel, Carnaval 2013
"A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - "Água no feijão que chegou mais um"
O trabalho no campo é fruto de muito suor, dedicação e amor pela terra, os
quais permitiram que o Brasil se tornasse um destaque na agricultura mundial,
caminhando a passos largos para a condição de principal país agrícola do
planeta.
Essa dedicação às atividades rurais gera milhões de empregos e riquezas, colaborando para a grandeza do nosso país. A prosperidade nacional se deve aos milhões de homens, mulheres e jovens que se dedicam ao cultivo de nosso solo fértil. O brasileiro tem fama de ser hospitaleiro e cordial. É bem verdade que um cafezinho já serve pra quebrar o gelo nas reuniões, pra esticar uma conversa, na mesa, depois da refeição. E aquela visita inesperada ou convidado de última hora, sempre é bem-vindo. Afinal de contas, onde come um comem dois, ou sempre podemos botar “água no feijão, que chegou mais um...”. (Jorginho do Império) A natureza generosa nos dá o feijão nosso de cada dia, o trigo do pão também, e o milho de fubá, e o arroz, e a cebola pra temperar, o alho, e a mandioca para fazer farinha, pra acompanhar... “No recanto onde moro, é uma linda passarela O carijó canta cedo, bem pertinho da janela Eu levanto quando bate o sininho da capela. E lá vou pro meu roçado, tendo Deus de sentinela Tem dia que meu almoço, é um pão com mortadela, Mas lá do meu ranchinho, a mulher e os filhinhos, Tem franguinho na panela” (Lourenço e Lourival) “Que vidinha simples, que vidinha boa A bóia é sagrado frango e quiabo Acompanhado de ovo caipira, arroz e feijão Depois do almoço sem muito esforço Encosto meu corpo no barracão”. (João Carneiro e Capataz) Esse mundo natural pródigo é o orgulho do país. Da terra vem a riqueza da nação. É do solo que nasce o engrandecimento da pátria. É dos produtos oferecidos pelos seus verdes lindos campos que conseguirá progredir. Portanto, é das suas terras, imensas e extensas, que a providência divina ofertou, que virá a sua transformação em celeiro agrícola da humanidade: a maior região produtora, fornecedora e abastecedora de alimentos do planeta terra. E quem será o responsável por cuidar do seu solo fértil? O agricultor, esse trabalhador extraordinário, arrojado, competente, que tem na terra o seu precioso bem. O homem do campo terá a missão de torná-la próspera, inseri-la no concerto das nações civilizadas, ampliando os cultivos, sem jamais destruir a natureza, os verdejantes bosques. Dos produtos agrícolas, virá a transformação do Planeta Faminto, num mundo de mesa farta e sonhos possíveis. “Enquanto uns fazem guerra Trazendo fome e tristeza, Minha luta é com a terra Pra não faltar pão na mesa” (Joel Marques e Maracaí) “Mulher, você vai gostar To levando uns amigos pra conversar Eles vão com uma fome que nem me contem, E vão com uma sede de anteontem, E vamos botar água no feijão...” (Chico Buarque) Eis a terra sustentável por natureza, e que pode ser mais. Afinal, aqui por estas bandas... “tudo que se planta dá”. Mas com o pensamento voltado para as necessidades dos comensais do grande banquete diário e os anseios do planeta onde vivemos, sem afetar as possibilidades de onde viverão os nossos filhos e netos, aproveitando com inteligência, cada palmo deste chão. Multiplicai os alimentos, mas sem ampliar as áreas de cultivo! “Eu tenho um coqueiro grande que só dá coquinho... Quando eu quero um coco grande, tem que ser do coqueirinho...”. Tamanho nem sempre é documento. Precisamos aprender com o coqueirinho, a aproveitar cada centímetro da plantação, produzindo mais, com astúcia. Para não desgastar os solos, a solução é o plantio feito na palha de culturas anteriores! Várias etnias se agregaram às três raças formadoras da nação - o branco, o negro e o índio – para formar a nossa tradição agrícola. Imigrantes, como os alemães, os japoneses, e os italianos, e outros em menores grupos, se dedicaram igualmente à agricultura. Assim como a agricultura, a música do campo é a origem do Brasil. “moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que agente nem sabe do quê...”. O som da viola canta a música do campo e conta a história daqueles que vivem da terra, que lutam, que prosperam e fazem o país crescer. A moda de viola trás a saudade dos tempos de outrora, mostra a vida cantada em versos simples e retrata a obra magnífica do homem do campo, do agricultor que com afinco, dedicação e conhecimento transforma a terra em riqueza. Segundo Câmara Cascudo, “somos filhos de raças cantadeiras e dançarinas”, o que ajudou na estruturação da música do campo. O violeiro é aquele que por instinto lê os sinais da natureza e os interpretam. Tem na sentimentalidade a bússola com que se orienta no mundo. É um artista que, nas asas da tradição, canta querências e saberes poetizados. “passo por cima das nuve Esbarrando no trovão Danço no meio da chuva Bem no meio do clarão...” (Lourival dos Santos e Priminho) A primeira fábrica de viola nasceu na fazenda Córrego da Figueira, em Campo Triste, fábrica de viola da marca Xadrez. “Na Fazenda Figueira O Dego e o seu irmão Entraro na mata virge A procura de madera Pra fazê uma viola E já fizero a primeira” (Antonio Paulino) “Esta viola vermelha Cor de bandeira de guerra Cor de sangue de caboclo Cor de poeira da terra”. (Tião Carreiro e Jesus Belmiro) “O som da viola bateu No meu peito doeu meu irmão Assim eu me fiz contador Sem nenhum professor”. (Peão Carreiro e Zé Paulo) “Ai, a viola me conhece Que eu não posso cantá só Se eu sozinho canto bem Em junto canto mió” (Carreirinho) “Minha viola Ta chorando com razão Por causa duma marvada Que roubou meu coração”. (Noel Rosa) O mundo da música é o da alma humana, e esta, na cidade ou no campo, não tem limite. A poesia se entrelaça com as paisagens, e as paisagens com os sentimentos. “O rio Piracicaba vai jogar água pra fora Quando chegar a água Dos olhos de alguém que chora Pertinho da minha casa Já formou uma lagoa Com lágrimas dos meus olhos, Por causa de uma pessoa”. (Lourival dos Santos, Tião Carreiro, e Piraci) “Eu fiz promessa Pra que Deus mandasse chuva Pra crescer a plantação”. O povo recorre a promessas quando a chuva não vem. Neste caso, a promessa foi paga com três pingos... “Um, foi o pingo da chuva, Dois caiu do meu oiá”. (Raul Torres e João Pacífico) Até os santos ficam de castigo, sendo trocados de Igreja, talvez pra prestarem mais atenção pros problemas do campo. “São José de Porcelana foi morar Na matriz da Imaculada Conceição A Conceição, incomodada, Vai ouvir nossa oração Nos livrar da seca, da enxurrada Da estação ruim. Barromeu pedra sabão vai pro altar Pertence a estrela mãe de Nazaré A Nazaré vai de jumento Pro mosteiro de São João E o evangelista, pra basílica de S. José Se a vida mesmo assim não melhorar Santo que quiser voltar pra casa Só se for a pé”. (Chico Buarque) Os animais e as plantas também são assuntos recorrentes das modas de viola. “Canta, canta Bem-te-vi Pra mim ouvir Canta, canta sabiá Pra me consolar” (Alvarenga e Ranchinho) “Quero ouvir a siriema Cantar por ti, Iracema No nosso jardim em flor”. (Mario Zan) “Comprei um casco chapeado Uma baldrana macia Um colchonilho dos brancos Pra minha besta rosia Um peitoral de argolinha E uma estrela que bria Fui dá uma passeio em Tupã Só pra vê o que acontecia”. (Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto) A música do homem do campo tomou grande impulso de divulgação nos anos vinte do século passado, graças as primeiras gravações. Hoje, a música é divulgadíssima. São realizados grandes shows. Os temas também evoluem, as técnicas de plantação também se sofisticam, mas a alma que os embala é a mesma, a alma caipira e brasileira. “Baile na roça, meu bem, se dança assim, Pego na cintura dela e ela tarraca em mim E o sanfoneiro toca, toca alegria, Vamo, vamo minha gente até o clarear do dia Dança, dança com a morena, dança, dança, com a loirinha, Começa o baile na tuia e termina na cozinha. Viva o baile da roça, viva a noite de S. João E o povo brasileiro conservando a tradição”. (Tunico e Tinoco) Hoje, o samba, homenageia o agricultor! Os sambistas celebram e eternizam esse personagem de real valor! A viola se junta aos pandeiros, chocalhos e surdos de primeira, para unir a cultura do sambista com a do homem do campo, numa grande festa de celebração da colheita. E, neste palco iluminado, por confetes e serpentinas, a Vila de Noel e de Martinho vem homenagear essa figura notória, original e bem brasileira: o agricultor. Ele merece o nosso respeito!!! É o agricultor brasileiro ajudando a alimentar o mundo!!! Autores do Enredo: Rosa Magalhães (Carnavalesca), Alex Varela (historiador) & Martinho da Vila | <>|
Sinopse do GRES Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2013
"Fama"
Um cara sacou com sagacidade
Que o tempo passa e a vida é breve
- Vou deixar a minha marca
mesmo que ela seja de leve
Então faraó faz da tumba moradia
Vestiu-se de múmia, a sua fantasia
E assim se tornou peça de museu,
Atua no cinema pra dizer que não morreu
A Fama atrai os conquistadores
O Grande Alexandre cortejou os escritores
Mandou os poetas divulgarem o que ele fez
E assim na história ele teve a sua vez
A máscara no rosto é uma interrogação
Não sei se a mocinha é princesinha bela
Se diz uma mentira, e tem cara de fera!
Chamou o pintor pra fazer o seu retrato
e Luís Quatorze entrou pra galeria
E o três por quatro ganhou a freguesia
É muito importante saber que eu existo
Os Beatles seriam mais famosos do que Cristo?
John Lennon pirou numa onda brava
Tem caras tão famosas quanto
a foto de Che Guevara
Calma Beth! Não vou jogar confete
Eu vou criticar você e lançar na internet
que tal umas comprinhas no photoshopíng?
boca, olho, nariz e "mucho más"
você vai se transformar numa sereia TOP!
Deixa ela falar, que é que tem
Vou brilhar
Eu estou fazendo tudo para aparecer
Que tal bater a foto assim juntinho com você?
Já conto as linhas do tempo
Minha marca já deixei, e com isso me contento
Fama que não se contesta
Já virei "arroz de festa"!
Pra "mosca azul" não te picar
Porque na vida é assim
Um sobre e desce sem parar
A fama disputa lugar no carnaval
Apenas, diferente, eterno e guerreiro
Quem corre mundo afora é a fama do Salgueiro!
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