Carnaval

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sinopse do GRES Unidos de Vila Isabel, Carnaval 2013



"A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - "Água no feijão que chegou mais um"

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O trabalho no campo é fruto de muito suor, dedicação e amor pela terra, os quais permitiram que o Brasil se tornasse um destaque na agricultura mundial, caminhando a passos largos para a condição de principal país agrícola do planeta.

Essa dedicação às atividades rurais gera milhões de empregos e riquezas, colaborando para a grandeza do nosso país. A prosperidade nacional se deve aos milhões de homens, mulheres e jovens que se dedicam ao cultivo de nosso solo fértil.

O brasileiro tem fama de ser hospitaleiro e cordial. É bem verdade que um cafezinho já serve pra quebrar o gelo nas reuniões, pra esticar uma conversa, na mesa, depois da refeição. E aquela visita inesperada ou convidado de última hora, sempre é bem-vindo. Afinal de contas, onde come um comem dois, ou sempre podemos botar “água no feijão, que chegou mais um...”. (Jorginho do Império)

A natureza generosa nos dá o feijão nosso de cada dia, o trigo do pão
também, e o milho de fubá, e o arroz, e a cebola pra temperar, o alho, e a
mandioca para fazer farinha, pra acompanhar...

“No recanto onde moro, é uma linda passarela
O carijó canta cedo, bem pertinho da janela
Eu levanto quando bate o sininho da capela.
E lá vou pro meu roçado, tendo Deus de sentinela
Tem dia que meu almoço, é um pão com mortadela,
Mas lá do meu ranchinho, a mulher e os filhinhos,
Tem franguinho na panela” (Lourenço e Lourival)

“Que vidinha simples, que vidinha boa
A bóia é sagrado frango e quiabo
Acompanhado de ovo caipira, arroz e feijão

Depois do almoço sem muito esforço
Encosto meu corpo no barracão”. (João Carneiro e Capataz)

Esse mundo natural pródigo é o orgulho do país. Da terra vem a riqueza da nação. É do solo que nasce o engrandecimento da pátria. É dos produtos oferecidos pelos seus verdes lindos campos que conseguirá progredir. Portanto, é das suas terras, imensas e extensas, que a providência divina ofertou, que virá a sua transformação em celeiro agrícola da humanidade: a maior região produtora, fornecedora e abastecedora de alimentos do planeta terra.

E quem será o responsável por cuidar do seu solo fértil? O agricultor, esse trabalhador extraordinário, arrojado, competente, que tem na terra o
seu precioso bem. O homem do campo terá a missão de torná-la próspera, inseri-la no concerto das nações civilizadas, ampliando os cultivos, sem
jamais destruir a natureza, os verdejantes bosques. Dos produtos agrícolas, virá a transformação do Planeta Faminto, num mundo de mesa farta e
sonhos possíveis.

“Enquanto uns fazem guerra
Trazendo fome e tristeza,
Minha luta é com a terra
Pra não faltar pão na mesa” (Joel Marques e Maracaí)

“Mulher, você vai gostar
To levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem,
E vão com uma sede de anteontem,
E vamos botar água no feijão...” (Chico Buarque)

Eis a terra sustentável por natureza, e que pode ser mais. Afinal, aqui por estas bandas... “tudo que se planta dá”. Mas com o pensamento voltado
para as necessidades dos comensais do grande banquete diário e os anseios do planeta onde vivemos, sem afetar as possibilidades de onde viverão os
nossos filhos e netos, aproveitando com inteligência, cada palmo deste chão. Multiplicai os alimentos, mas sem ampliar as áreas de cultivo!

“Eu tenho um coqueiro grande que só dá coquinho...
Quando eu quero um coco grande, tem que ser do coqueirinho...”.

Tamanho nem sempre é documento. Precisamos aprender com o coqueirinho, a aproveitar cada centímetro da plantação, produzindo mais, com astúcia. Para não desgastar os solos, a solução é o plantio feito na palha de culturas anteriores!

Várias etnias se agregaram às três raças formadoras da nação - o branco, o negro e o índio – para formar a nossa tradição agrícola. Imigrantes, como os alemães, os japoneses, e os italianos, e outros em menores grupos, se dedicaram igualmente à agricultura.

Assim como a agricultura, a música do campo é a origem do Brasil.

“moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que agente nem sabe do quê...”.

O som da viola canta a música do campo e conta a história daqueles que vivem da terra, que lutam, que prosperam e fazem o país crescer.

A moda de viola trás a saudade dos tempos de outrora, mostra a vida cantada em versos simples e retrata a obra magnífica do homem do campo, do agricultor que com afinco, dedicação e conhecimento transforma a terra em riqueza.

Segundo Câmara Cascudo, “somos filhos de raças cantadeiras e dançarinas”, o que ajudou na estruturação da música do campo.

O violeiro é aquele que por instinto lê os sinais da natureza e os interpretam. Tem na sentimentalidade a bússola com que se orienta no mundo. É um artista que, nas asas da tradição, canta querências e saberes poetizados.

“passo por cima das nuve
Esbarrando no trovão
Danço no meio da chuva
Bem no meio do clarão...” (Lourival dos Santos e Priminho)

A primeira fábrica de viola nasceu na fazenda Córrego da Figueira, em Campo Triste, fábrica de viola da marca Xadrez.

“Na Fazenda Figueira
O Dego e o seu irmão
Entraro na mata virge
A procura de madera
Pra fazê uma viola
E já fizero a primeira” (Antonio Paulino)

“Esta viola vermelha
Cor de bandeira de guerra
Cor de sangue de caboclo
Cor de poeira da terra”. (Tião Carreiro e Jesus Belmiro)

“O som da viola bateu
No meu peito doeu meu irmão
Assim eu me fiz contador
Sem nenhum professor”. (Peão Carreiro e Zé Paulo)

“Ai, a viola me conhece
Que eu não posso cantá só
Se eu sozinho canto bem
Em junto canto mió” (Carreirinho)

“Minha viola
Ta chorando com razão
Por causa duma marvada
Que roubou meu coração”. (Noel Rosa)

O mundo da música é o da alma humana, e esta, na cidade ou no campo, não tem limite. A poesia se entrelaça com as paisagens, e as paisagens com os sentimentos.

“O rio Piracicaba vai jogar água pra fora
Quando chegar a água
Dos olhos de alguém que chora
Pertinho da minha casa
Já formou uma lagoa
Com lágrimas dos meus olhos,
Por causa de uma pessoa”. (Lourival dos Santos, Tião Carreiro, e
Piraci)

“Eu fiz promessa
Pra que Deus mandasse chuva
Pra crescer a plantação”.

O povo recorre a promessas quando a chuva não vem. Neste caso, a promessa foi paga com três pingos...

“Um, foi o pingo da chuva, Dois caiu do meu oiá”. (Raul Torres e João Pacífico)

Até os santos ficam de castigo, sendo trocados de Igreja, talvez pra prestarem mais atenção pros problemas do campo.

“São José de Porcelana foi morar
Na matriz da Imaculada Conceição
A Conceição, incomodada,
Vai ouvir nossa oração
Nos livrar da seca, da enxurrada
Da estação ruim.
Barromeu pedra sabão vai pro altar
Pertence a estrela mãe de Nazaré
A Nazaré vai de jumento
Pro mosteiro de São João
E o evangelista, pra basílica de S. José
Se a vida mesmo assim não melhorar
Santo que quiser voltar pra casa
Só se for a pé”. (Chico Buarque)

Os animais e as plantas também são assuntos recorrentes das modas de viola.

“Canta, canta Bem-te-vi
Pra mim ouvir
Canta, canta sabiá
Pra me consolar” (Alvarenga e Ranchinho)

“Quero ouvir a siriema
Cantar por ti, Iracema
No nosso jardim em flor”. (Mario Zan)

“Comprei um casco chapeado
Uma baldrana macia
Um colchonilho dos brancos
Pra minha besta rosia
Um peitoral de argolinha
E uma estrela que bria
Fui dá uma passeio em Tupã
Só pra vê o que acontecia”. (Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto)

A música do homem do campo tomou grande impulso de divulgação nos anos vinte do século passado, graças as primeiras gravações. Hoje, a música é divulgadíssima. São realizados grandes shows. Os temas também evoluem, as técnicas de plantação também se sofisticam, mas a alma que os embala é a mesma, a alma caipira e brasileira.

“Baile na roça, meu bem, se dança assim,
Pego na cintura dela e ela tarraca em mim
E o sanfoneiro toca, toca alegria,
Vamo, vamo minha gente até o clarear do dia
Dança, dança com a morena, dança, dança, com a loirinha,
Começa o baile na tuia e termina na cozinha.
Viva o baile da roça, viva a noite de S. João
E o povo brasileiro conservando a tradição”. (Tunico e Tinoco)

Hoje, o samba, homenageia o agricultor! Os sambistas celebram e eternizam esse personagem de real valor! A viola se junta aos pandeiros, chocalhos e surdos de primeira, para unir a cultura do sambista com a do homem do campo, numa grande festa de celebração da colheita. E, neste palco iluminado, por confetes e serpentinas, a Vila de Noel e de Martinho vem homenagear essa figura notória, original e bem brasileira: o agricultor. Ele merece o nosso respeito!!! É o agricultor brasileiro ajudando a alimentar o mundo!!!

Autores do Enredo: Rosa Magalhães (Carnavalesca), Alex Varela (historiador) & Martinho da Vila

Sinopse do GRES Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2013






"Fama"



Num dia perdido na Antiguidade
Um cara sacou com sagacidade
Que o tempo passa e a vida é breve
- Vou deixar a minha marca
mesmo que ela seja de leve
Então faraó faz da tumba moradia
Vestiu-se de múmia, a sua fantasia
E assim se tornou peça de museu,
Atua no cinema pra dizer que não morreu
A Fama atrai os conquistadores
O Grande Alexandre cortejou os escritores
Mandou os poetas divulgarem o que ele fez
E assim na história ele teve a sua vez
Ora se esconde, ora se revela
A máscara no rosto é uma interrogação
Não sei se a mocinha é princesinha bela
Se diz uma mentira, e tem cara de fera!
E lá na Europa, um nobre de bom trato
Chamou o pintor pra fazer o seu retrato
e Luís Quatorze entrou pra galeria
E o três por quatro ganhou a freguesia
É muito importante saber que eu existo
Os Beatles seriam mais famosos do que Cristo?
John Lennon pirou numa onda brava
Tem caras tão famosas quanto
a foto de Che Guevara
Calma Beth! Não vou jogar confete
Eu vou criticar você e lançar na internet
Se quer estar bem na foto tipo modelo fashion
que tal umas comprinhas no photoshopíng?
boca, olho, nariz e "mucho más"
você vai se transformar numa sereia TOP!
Deixe que a fama te leve e afama
Deixa ela falar, que é que tem
Vou brilhar
Eu estou fazendo tudo para aparecer
Que tal bater a foto assim juntinho com você?
Há mais de vinte anos
Já conto as linhas do tempo
Minha marca já deixei, e com isso me contento
Fama que não se contesta
Já virei "arroz de festa"!
Mas é preciso ter cautela
Pra "mosca azul" não te picar
Porque na vida é assim
Um sobre e desce sem parar
e na televisão, na revista ou no jornal
A fama disputa lugar no carnaval
Apenas, diferente, eterno e guerreiro
Quem corre mundo afora é a fama do Salgueiro!
Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage"


Sinopse do GRES Beija-Flor de Nilópolis, carnaval 2013





AMIGO FIEL


Amigo, sou um animal feliz e venho contar a minha história. Nasci pequenininho, no início da evolução animal, e cresci de acordo com o tempo, me tornando inteligente, companheiro, amável e elegante.

Quando o Homem deixou de ser nômade para fixar sua morada, deixei de ser selvagem para acompanhá-lo, e me tornei o fiel amigo dos viajantes, ajudando a matar a sua sede, uma vez que com o bater dos meus cascos no solo, descobri e fiz jorrar refrescantes fontes de água. Usei ainda a minha força para a agricultura e migração, transportando homens e mercadorias, de um lado para o outro, fazendo crescer os povos.

Com o florescer das grandes civilizações, preparei-me para as adversidades. Desempenhei um papel fundamental de força e fidelidade, indispensável nas disputas por poder e glória, nas lutas engajadas por imponentes realezas. Vi-me rodeado por escudos e lanças, espadas e vitórias. Materializei-me como um gigante cavalo de madeira, invadindo e destruindo Tróia, como um “presente de grego”, atravessando assim o limiar do tempo e do espaço.

Eternizado em lendas num mundo de encantamento, povoei a mente de povos antigos. Entre os deuses, fui escolhido o condutor divino das cortes celestiais, criando um misticismo riquíssimo de significados, que influenciaram o comportamento humano e o infinito de sua imaginação.

Sob a forma de um magnífico presente de Alah, sou o símbolo da criação ao reunir em meu espírito as qualidades de outros animais: olhos tão potentes quanto os da águia, o faro tão sensível quanto o do lobo, a velocidade da pantera, a resistência do camelo, a coragem do leão, a memória privilegiada do falcão, a elegância do caminhar da corsa e a fidelidade indiscutível do cão. E no fogo cigano da purificação, conduzi meu senhor aos campos celestes da libertação final.

Com quatro patas e uma força incrível, fui o companheiro legítimo que puxou carroças, charretes, carruagens e bondes, ajudando os caixeiros viajantes, facilitando o comércio, e colocando o mundo em movimento e expansão.

Ao chegar na Europa, centro do Velho Mundo, tornei-me a relíquia da nobreza. Em Portugal, conhecido como Alter-Real, a estrela que voa, fui a raça estimada pela Corte lusitana.

No então chamado Novo Mundo aportei, sendo presenteado pelo rei português ao Barão de Alfenas, e do cruzamento com as raças ibéricas, que aqui chegaram na época da colonização, renasci como o sangue puro do Brasil, no sul de Minas Gerais. Terra que reunia diversos núcleos produtores como ouro, pedras preciosas e café, que garantiam o abastecimento da corte, então sediada no Rio de Janeiro. Quantas viagens eu fiz por essas fazendas e pelos caminhos da Estrada Real entre Minas e Rio, onde transitavam vários protagonistas da história construída sobre o meu dorso.

Surgi como a estrela dessa terra... Eu sou o Mangalarga Marchador; um animal sem fronteiras, uma grande paixão, de beleza forte, andar macio e comodidade que me fizeram brilhar. Sou esplendoroso, ágil, leve, sadio, ativo e dócil, detenho qualidades extraordinárias que lançam a minha raça, genuinamente brasileira, no cenário mundial, espalhando-se pelos caminhos da vida.

Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari (Carnavalescos) e Bianca Behrends (Pesquisadora)

Confira os enredos que já sairam no Grupo de Ouro



Veja alguns enredos já escolhidos pelo Grupo de Ouro para o Carnaval 2013. O grupo de Ouro desfilará na sexta e sábado de Carnaval. Essa nova ordem, mudou a formatação do Caranaval Carioca.



AGREMIAÇÃO
CARNAVALESCO
ENREDO


Sexta - Feira (08/02/2013)






Unidos do Porto da Pedra

Fábio Ricardo

não definido 





Unidos do Jacarezinho

Marcus Ferreira

Puxador, não. Intérprete! 



Acadêmicos de Santa Cruz

Sylvio Cunha e Lane Santana

O Dragão do mar e a lenda do Ceará



Unidos da Vila Santa Tereza

Guilherme Alexandre

não definido




União do Parque Curicica

não definido

não definido



Estácio de Sá

Jack Vasconcelos

Rildo Hora: A ópera de um menino... O toque do realejo rege o seu destino!



Alegria da Zona Sul

Eduardo Gonçalves

Quem não chora, não mama...



Acadêmicos da Rocinha

Luiz Carlos Bruno

Podem acender a chaminé da Sapucaí, que a fumaça é branca



Unidos do Viradouro

Max Lopes

não definido



Sábado (09/02/2013) 




 União de Jacarepagua

Jorge Caribé

Dos Barões do café à Cidade Universitéria. Vassouras, ouro verde do Brasil!



Paraíso do Tuiuti

Cid Carvalho

Ao mestre do riso com carinho: as caras do Brasil




Tradição

Augusto de Oliveira
não definido



Império Serrano

Mauro Quintaes

Caxambú (título não definido)



Acadêmicos do Cubango

Severo Luzardo

Teimosias da Imaginação



Sereno de Campo Grande

Amarildo de Melo

Na busca da paz, equilíbrio e harmonia. Bem aventurados sejam os que ouvem a voz de Deus!



Império da Tijuca

Junior Pernambucano

Negra, pérola mulher



Caprichosos de Pilares

Amauri Santos
Fanatismo... Enigma da mente humana



Unidos de Padre Miguel

Edson Pereira

A festa dos Orixás no reino de Oyó



Renascer de Jacarepagua

Comissão de Carnaval

Rio: uma viagem alucinante

Sinopse da Mangueira, Carnaval 2013





"Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América!"


Ouçam o apito da sirene que indica que o trem verde e rosa vai dar a partida. Não cuiabanos! Não se trata da máquina de ferro e aço que há 150 anos é esperada ansiosamente; mas, quando a cortina de fumaça dos fogos de artifício se abrir e a penumbra se dissipar, todos entenderão que o sonho é a verdadeira vitória sobre o tempo. Alegrai-vos cuiabanos de tchapa e cruz1 e de coração. O tempo da espera acaba aqui e agora! Todos a bordo, acomodem-se. Olhem através das janelas de suas almas e vejam, a cada estação, a memória cuiabana em desfile.
Por alguns instantes, deixem-se levar pela imaginação; não como alguém que se perdeu no tempo à espera do trem, mas com a sabedoria daqueles que fazem do tempo o combustível que alimenta a esperança.

Estação Primeira: Mangueira.
O trem está em movimento e os músicos mangueirenses fazem rufar a Bateria Surdo Um. Há uma apoteótica celebração de boas-vindas. Personificado na "lúdica permutação dos nomes próprios em apelidos 2", eis o maquinista dos versos: Mestre Jamelão. O nosso eterno intérprete de sambas-enredo dá o tom à memória dos "gênios anjos mangueirenses"- Cartola, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Nelson Cavaquinho, Dona Zica, Dona Neuma, Mocinha, Xangô da Mangueira entre outros, que, juntos saúdam e convidam todos os presentes a embarcarem nesta viagem rumo ao "Paraíso no Centro da América". Partindo da Estação Primeira, o trem mangueirense percorrerá os trilhos da história da "Cidade Verde", a capital do Mato Grosso, e revelará para o mundo, tal qual o antigo sonho de integração, este deslumbrante rincão fincado no coração do Brasil, Cuiabá, também conhecida como a Cidade Verde, a partir de agora, passará a ser chamada de Cidade Verde e Rosa!

Estação: Eldorado.
Como se emergisse das cristalinas águas dos rios, com sua imponente farda, "General Saco", habitante do reino das riquezas, recebe a nossa composição. Celebra nossa presença com a história de fundação de Cuiabá. Nomes havia muitos para a mesma situação: negro sabre, branco espada, índio tacape, flecha e facão. Mas é no garimpo que se miscigenaram, num só princípio de unidade geral, construindo da geração espontânea de cada célula que se agrega e vai dando subsídios ao nascimento de uma consciente e sólida civilização.
Desbravam o fabuloso espaço fluvial-lacustre habitado por criaturas fantásticas,guerreiros indígenas e enfeitiçados pela farta quantidade de ouro encontrada; imaginam-se no cobiçado Eldorado, um lugar onde tudo era de ouro e pedras preciosas, até mesmo os nativos, os bichos, as flores e as frutas, segundo relatos dos próprios Bandeirantes.
Tchapa e cruz é uma expressão regional típica de Cuiabá, que designa o cuiabano autêntico, "puro de origem".SILVA, Freire. Manifesto Mosaico Cuiabano, 1977.2 De invasão em invasão, uma audaz expedição ficou na memória.Pascoal Moreira Cabral escreve a epopeia da nossa história:
Parte à frente de uma Bandeira
E de Tordesilhas
Rompe a linha divisória...
Descobre ouro às margens do Rio Coxipó, Funda, em 1719, o primeiro povoado português, Cuiabá.
Uma só essência! Terra boa e altaneira. Não importam mais os maus tratos de uma fúria transitória,
Cuiabá orgulha a pátria brasileira, ostentando imortal passado de glória.

Estação: Mitos e Lendas.
Nossa composição segue pela penumbra das matas... Recebidos por "Antônio Peteté", andarilho de vida pacata e dono de um leque fabuloso, nos conta sobre os causos cuiabanos.
Há muito tempo ouve-se falar na presença de um monstro em forma de serpente, chamado minhocão, que habita o rio Cuiabá. Relatos vão de simples aparições até contatos da embarcação ou táteis com o ser, como tocar a canoa na cobra ou descer em seu lombo, pensando ser terra firme 3. Por esse mundão cuiabano, vaga uma cobra de fogo que assombra as pessoas, conhecida como Boitatá e tem também um velho índio, que se transforma em pássaro encantado ao anoitecer - o Tibanaré. Já nas matas virgens e no cerrado, mora uma criatura que só tem um pé, o Pé-de-garrafa. E se, em uma noite sem lua, você se encontrar com uma mulher vestida de noiva perambulando pelas ruas cuiabanas, afaste-se, porque é o fantasma da Dama de Branco.
Entre lendas e mistérios, quem nunca se arrepiou ao saber, depois de comer a cabeça do pacu4, que uma das suas virtudes é ser casamenteiro? Ou quem não saiu em busca de novos desafios à procura da perdida "mina dos martírios"? Pois bem, abençoados pela Mãe d’Água, tudo isso faz parte do nosso imaginário popular. É tudo cultura, como em toda literatura, e cuiabana é a sua assinatura.

Estação: Arte e Sabor
Declamando um poema de amor, lembramo-nos dos tempos de menino... "Joga peteca, salta ioiô", o trem da Mangueira apresenta o artesanato e a culinária brincando com "Zé Bolo Flor".
Quem comeu, comeu...Quem não comeu, Não come mais.
Na cerâmica e no traçado, como em todo o artesanato e no chão simples da rua que a vida chega pra se mostrar, se come, se bebe, se dança, a vida é uma festança em cada feira popular. Expõem nas janelas: redes, mantos, caminhos de mesa, cativando quem passa pra namorar ou comer um doce chamado furrundu, de sabor tão peculiar. E olha que a criatividade não é pouca! Se não pega pela arte, nos seduz pela boca. Haja fome, meu irmão, o cardápio é indicado - nem falo da farofa de banana ou da mojica de pintado. Nem da paçoca de carne seca, muito menos do maxixe recheado - que, aí, seria um pecado. Em Cuiabá, a alimentação é sagrada: come-se de tudo, não tem conversa fiada. Duvido que alguém resista à cajuada, ao arroz de pequi, ou à saborosa cabeça de boi assada.

Estação: Festas de Santos.
Sob o "arco da iluminação", aportamos. Curandeira de mão cheia, "Mãe Bonifácia", organiza o muxirum5 para início dos festejos. Redenção! Goza o povo de um amor à divina celebração. Fazem da crença uma confiança obstinada e, da reza, um canto em homenagem à Festa do Divino Espírito Santo de Cuiabá.
Com a pureza no olhar, pedem a benção a Bom Jesus, o padroeiro do lugar. Em procissão, louvam São Benedito, como crença de sua devoção... Festeiros, esmolas, bandeiras, cerimônias do mastro, procissões fluviais enlaça-nos em tal predestinação. Depois da promessa, não há quem resista à tamanha tentação. Seguem os cortejos da queima de fogos e dançam quadrilha de São João.
Um momento precioso!
Dançam o "São Gonçalo", como parte significativa da religiosidade rural, onde o santo é um deus infinito que lava as dores e enxuga o pranto. Ecoa das violas de cocho, das batidas do mocho e do ritmo do ganzá, a genuína musicalidade cuiabana. No registro do saber, o povo se mistura num tempo puro e sem pecado. Na dança e no canto, quem gira chega dando seu recado - com o cururu, siriri e rasqueado.
Sucede que as festas de santo têm lá seus mistérios... Nelas misturam-se o laico e sacro numa simbiose natural - danças, rezas, músicas, brincadeiras e religiosidade. Inspirados,e bem na hora da partida rumo à próxima estação, chegam os mascarados com suas vestes coloridas, dançando em torno do mastro, o "trança-fitas".
Estação: Portal do Paraíso.
Um momento: siga um conselho e tome fôlego antes de prosseguir. Pronto! Lá vamos nós! Há "tanta vida, tanta história, que não foge da memória a fonte de tanta beleza. É a terra, é a gente, é tudo aquilo que Deus criou e que se chama natureza". Designação local de mutirão.
Mareja-nos o olhar ao avistarmos um místico mosaico geometrizante: ferruginosas franjas das bordas dos desfiladeiros, misteriosas cavernas e inscrições rupestres reveladas em sítios arqueológicos, cachoeiras de águas cristalinas e até mesmo um casal de araras vermelhas sobrevoando o céu, fazem da Chapada dos Guimarães um louvor à obra do Criador.
Adiante, uma revoada de tuiuiús - ave símbolo do Mato Grosso - nos conduz a um passeio pela fascinante biodiversidade e à extraordinária vida selvagem do Pantanal. Se alguém ainda acha pouco para justificar a alcunha de "Um paraíso no centro da América" a Cidade Verde ainda se dá ao luxo de ser o Portal da Amazônia! É neste cenário paradisíaco, de odores edênicos, que a Mangueira canta e se encanta:
Glória aos teus tesouros,
Ao teu cintilante céu azul!
Bendita sejas, terra amada.
Cuiabá, tu que és do meu Brasil a pérola engastada
Em pleno coração da América do Sul.
Estação: Mandem lembranças ao Futuro!
Chegamos a nossa última parada e imediatamente uma negra esguia e defensora de nobres ideais ergue a voz e diz: Olhem pra frente e além dos muros, Cuiabá é uma cidade a caminho do futuro! É a "Maria Taquara".
"O conto que a gente canta é a história que o povo faz". Cuiabá reinventa-se como recanto laborioso de seu povo, o mesmo povo de espírito comunitário, que ficou isolado durante anos das principais capitais do país e tornou-se adulto, podendo ser criança. Da lembrança dos "quintais com mangueiras", de tomar guaraná ralado à beira de um córrego à sombra de um acopari, de soltar "pandorga6", "finca-finca", "busca-pé" e "trique-trique" com a boca suja de pixé7, erguem-se, nessa terra de sol escaldante, indestrutíveis riquezas, tecnologias inquestionáveis à frente de sua crescente economia.
Cuiabá é a "cidade das oportunidades" que se desenvolve combinando tradições com progresso. Desta terra emana uma energia contagiante... Feita, sobretudo, da confiança no futuro e do calor humano bordado na alma de sua gente. Todos juntos por Cuiabá: evidenciam a sua crença e preservam a esperança de continuidade de uma cidade que continuará evoluindo e atendendo às necessidades de todos os que vivem nela.
Unida e de braços dados com a Mangueira, se orgulha e se prepara para receber o maior evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo de 2014. Multiforme e heterogênea, nos deixa o legado de que o futuro é aqui. Suplantada por "alegorias-indústrias" descobre a fórmula mágica para sua industrialização: a sustentabilidade! Não à poluição, compromisso desta nação.
O final da nossa jornada sempre será o início para os que têm sensibilidade.

Cid Carvalho, carnavalesco.

Marcos Roza, pesquisador de enredos.


Bibliografia Consultada: BORGES. Fernando Tadeu de Miranda. Esperando o Trem - sonhos e esperanças de Cuiabá, Ed. Scor Tecci; 2005.
FREIRE. Silva. Manifesto Mosaico Cuiabano, 1977. FREITAS. Márcia Auxiliadora de. Cuiabá: imagens da cidade, dos primeiros registros à década de 1960, Entrelinhas; 2011. GUIMARÃES. Lauristela. Organização. Cuiabá: Cidade em Evolução, Ed. Primeira Página; 2011. MARTINS. Moisés. Cuiabá de Vila a Metrópole Nascente, Caderno 1; 2006. ROBERTO. Loureiro. Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições, Ed. Entrelinhas; 2006. SCALFF. Ivens Cuiabano. Kyvaverá, Ed. Entrelinhas; 2011. SILVA. Paulo Pitaluga Costa e. Cuyaverá, Cuiabá: a lontra brilhante, Ed. Carlini e Carniato; 2007.
Agradecimentos:
Francisco Belo Galindo Filho (Prefeito de Cuiabá), Sílvio Fidelis (Secretário de Governo), Carlos Britto (Secretário de Comunicação), Luiz Poção (Secretário de Cultura), Tânia Aparecida Barteli (Secretária de Turismo), Carlos Haddad (Secretário Adjunto de Turismo), Fernando Biral (Procurador Geral), Regina Kaizer (Secretária de Assistência Social e Desenvolvimento Humano), Caique Loureiro, Hugo Monteiro, Dona Domingas, Larissa Silva Freire, Cleyton Normand da Fonseca (UFMT), Márcio Bororo, Maria Teresa Carrión Carracedo, Elizabeth Madureira Siqueira (IHGB), Professor Leonam Lauro e a todos os cuiabanos e mato-grossenses que contribuíram com ideias, dicas e apoio para esta iniciativa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Belford Roxo no Grupo Especial em 2013


Comissão de frente, digna de Grupo Especial



Mais uma escola da Baixada Fluminense desfilará no Grupo Especial em 2013, a Inocentes de Belford Roxo ganhou o carnaval do Grupo de Acesso A. A escola também ganha o direito de ter um dos barracões da Cidade do Samba.


Eis a classificação da Grupo de Acesso A, carnaval 2012



1 - Inocentes: 299,6
2 - Império Serrano: 298,3
3 - Império da Tijuca: 298,3
4 - Cubango: 298
5 - Viradouro: 297,8
6 - Santa Cruz: 297,3
7 - Estácio de Sá: 297,2
8 - Rocinha: 296,1
9 - Paraíso do Tuiuti: 296


Apuração, carnaval 2012

Eis o quadro com as notas de cada quesito, a pontuação e a colocação de cada escola. Material retirado do site da Liga Independente das Escolas de Samba.

domingo, 9 de outubro de 2011

Mangueira, define samba para 2012

A Estação Primeira escolheu o seu samba nesta madrugada ( 09/10/2011). o samba vencedor foi o 65 A.



Veja o letra do samba.


Salve... A tribo dos bambas
Um “Doce refúgio” de inspiração
Salve... O palácio do samba

Onde um simples verso se torna canção
Debaixo da tamarineira
Um índio guerreiro me fez recordar
Um lugar... O meu berço, num novo lar
Seguindo com os “pés no chão”“Raiz”, que se tornou religião
Da boêmia dos antigos carnavais
Não esquecerei jamais

Firma o batuque que eu quero sambar... ME LEVA!
Já começou... A FESTA!
Esqueça a dor da vida, Caciquiando na avenida
“Sim”... Vi o bloco passando
O nobre rezando, e o povo a cantar
“Sim”... Era um nó na garganta
Ver o Bafo da Onça, a desfilar
“Chora... Chegou à hora eu não vou ligar”
Minha cultura é arte popular
Nasceu em Fundo de Quintal
Sou Imortal e vou dizer agonizar não é morrer
Mangueira... Fez o meu sonho acontecer (hei, hei, hei...)
“O povo não perde o prazer de cantar”
Por todo universo minha voz ecoou
“Respeite quem pôde chegar”
“Onde a agente chegou”

Vêm festejar... Na palma da mão
Eu sou o samba... A voz do morro
Não dá pra conter, tamanha emoção
Cacique e Mangueira num só coração

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sinopse, Renascer de Jacarepaguá 2012



... No princípio criou Deus os céus e a terra.

E a Terra era sem forma e vazia...

E disse Deus: haja luz! E houve luz!

Gênesis Cap I,II e III


E de tudo que Deus criou, da luz surgiram as cores!

O G. R. E. S. Renascer de Jacarepaguá te convida a embarcar em uma colorida viagem pelo universo das obras de Romero Brito.

Uma viagem que não tem fronteiras, início, meio e fim. É como um conto de fadas que toca o coração, liberta a alma e concretiza nossos desejos.

A mente humana guarda sonhos, fantasias, loucuras e magias. É como uma abstrata máquina que subindo e descendo, girando para todos os lados carrega milhares de células que conferem ao homem dons divinais entre eles o poder de pensar e criar. E Deus deu a ele a genialidade na arte de brincar com formas sem formas. Na arte de transformar o insano em sano e de fazer surgir das mais fantásticas fantasias de sua mente, formas que encantaram o mundo inteiro. Mente querida que não se rendeu a infância sofrida.

O Criador o fez assim: moleque, maneiro, faceiro e arretado. Em suas mãos o abstrato criou forma e as cores se transformaram na razão de sua vida!

Desembarcamos na história da arte ocidental, viajamos a barroca Itália do Mestre Caravaggio que retratava o aspecto mundano dos eventos bíblicos, usando o povo comum das ruas de Roma.

Ainda jovem, Romero recebeu de seu irmão, um jovem vendedor de enciclopédias, um livro a respeito de Caravaggio, sequer havia ouvido falar do Mestre, mas se impressionou com a violência de sua obra. Sua infância pobre nas favelas de Recife, repletas de adversidades, poderia fazer de Romero o novo Caravaggio, o Caravaggio Tropical, dores e dificuldades não faltariam para retratar, Romero era na verdade uma dessas milhares de pessoas comuns que Caravaggio retratava em suas telas. Mas o que faz uma pessoa comum? As circunstâncias? O cenário de sua vida? Ao escolher seu estilo artístico, Romero nos apresenta uma grande lição de vida: não somos oque temos, somos o que guardamos dentro de nós. Somos o que podemos contribuir para um mundo melhor, das obras de Caravaggio teve a exata noção do que não queria retratar em suas obras, se poderia influenciar o mundo e as pessoas com uma obra feliz, serena e brilhante, por que iria compartilhar seus pesadelos?

Ainda na Europa sua inspiração viaja para Espanha de Pablo Picasso, o artista das formas certamente é um traço reconhecido na obra de Romero. Picasso, o pai do cubismo no mundo é um marco em suas obras.

Dizem que a propaganda é alma do negócio, mas no fundo a propaganda é uma nave por onde uma obra navega e chega a muitos lugares. Quando um artista idealiza uma obra, ela se limita a um espectador, alegra uma única vida, altera uma única história. Uma obra que ilustra um produto, tem um poder de alcance inimaginável. As obras de Romero transmitem alegria e através dos inúmeros produtos mundiais que carregam os traços de Britto, esta arte isenta de ansiedade e medo rompeu fronteiras étnicas, sociais e religiosas alcançando um número incalculável de vidas e de histórias.

É o início do ciclo publicitário de sua carreira onde Romero descobre que o infinito é realmente intocável e sua obra abraça o mundo, chegando aos cinco continentes. Dezenas de trabalhos publicitários, selos para a ONU e esculturas que tiraram do artista o poder de perceber até onde pode chegar, embora tenha durante sua vida, criado sem a pretensão de voos distantes, pois criou com a alma e com a emoção de ver uma vida ou sorriso modificado. E neste aspecto, já é muito mais que um vencedor.

O mundo conhece Romero e ele está ou esteve nos maiores circuitos artísticos mundial. Suas obras públicas ilustram várias cidades do mundo, inclusive sua doce e bela Miami. A cidade que abriu as portas para suas obras e reconhece seu brilhantismo em quase toda sua extensão territorial. Museus mundiais puderam apresentar a sua nação o encanto das telas e peças deste artista. Romero de Brito chega à Cidade Luz, ao Museu do Louvre em Paris, o mais visitado museu do mundo, onde nosso genuíno artista pôde se encontrar com os maiores Gênios das artes plásticas do mundo que até então, viviam apenas nas lembranças de sua infância.

Do alto do morro e de braços abertos o Corcovado recebe este artista que no maior espetáculo da terra conta as maravilhas deste gênio modernista. É a capital do samba que explode de felicidade e suas paisagens naturais vão ganhando as cores e a cara de Romero. O Rio de Janeiro recebe agora um olhar carinhoso de Britto e a cidade do samba da mulata e futebol aos poucos se rende.

Em 06 de outubro de 1963, quando o quarto exército invadia o Recife para uma luta armada contra a revolta dos camponeses, nascia Romero de Brito, um garoto pernambucano que aos 8 anos de idade chamava a atenção na escola onde estudava. Além de decorar cadernos com desenhos coloridíssimos, passava horas no quintal de sua casa criando. Sucatas, papelão e jornal serviam de suporte para suas pinturas. E ele adorava ganhar de presente livros de arte. "Eu ficava ali sentado e copiava mestres da pintura por dias e dias", lembra Romero Britto.

''Nasci com um dom, e quero dividir com todos''

Britto criou obras que invocam o espírito de esperança e transmitem uma sensação de aconchego. Suas obras são chamadas, por colecionadores e admiradores, de "arte da cura". Sua arte contém cores vibrantes e composições ousadas, criando graciosos temas com elementos compostos do cubismo.

Nesta Noite a passarela branca vai se colorir de alegria, a Renascer abre as portas da folia para contar a vida e arte de Romero de Brito esse mágico artista que aos 47 anos contribui para a formação artística de milhares de jovens e vem chegando de mansinho para encantar a Marquês de Sapucaí. Romero, que há mais de 20 anos mora em Miami é Made in Brazil e a Renascer que é Especial, apresenta seu carnaval: O ARTISTA DAS CORES DA O TOM DA FOLIA.

Carnavalesco: Edson Pereira
Pesquisa: Anderson Ferreira




Sinopse, Vila Isabel 2012



O Brasil e Angola são ligados por laços afetivos, linguísticos e de sangue. São irmãos pela história que os une.

Desde a Antiguidade, já existiam bestiários que repertoriavam as estranhezas da fauna e das características geográficas. Segundo o jesuíta Sandoval (1625), " Os calores e os desertos da África misturavam todas as espécies e raças de animais, em redor de poços, criando um ecossistema particular, capaz de engendrar hibridações monstruosas. Tal circunstancia fazia da África, o continente de todas bestialidades, o território de eleição do diabo."

As bestialidades de que falava tal escritor eram hipopótamos e rinocerontes, chacais e hienas, zebras e girafas, avestruzes e palancas negras, entre outros.

A estranheza também era causada pela cor da pele de seus habitantes.

As regiões abaixo do deserto do Saara, chamadas de Ndongo e Matamba, eram habitadas por dois povos distintos: os ambundos e os jagas. Os primeiros eram excelentes ferreiros, cuja habilidade era muito apreciada. Os jagas, por sua vez, se destacavam como guerreiros invencíveis, pois se exercitavam diariamente em local apropriado a que chamavam de quilombo.

Na época da expansão marítima portuguesa, esses dois povos possuíam um soberano a que chamavam de Ngola.

No século XVII, a região de Angola era governada por uma rainha chamada Njinga, que era ambundo pela linhagem materna e jaga, pela paterna. Expressão do encontro de dois grupos étnicos, que apesar de semelhantes, tinham organizações distintas, Njinga os governou com sabedoria. A persistência do incômodo causado pelo seu sexo, entretanto, levou-a a assumir um comportamento masculino, liderando batalhas pessoalmente e vestindo de mulher seus muito concubinos, que faziam parte de seu harém.

Apesar da fama de Njinga ter sido construída na luta da resistência contra o domínio de Portugal, entre os portugueses o reconhecimento de seu talento político e capacidade de liderança surgiu a partir de seu desempenho como chefe de uma embaixada que o então Ngola do Ndongo, enviou ao governador português, em 1622. Recebida com uma pompa que deve tê-la

impressionado, Njinga também teria causado impacto entre os portugueses ao agir e falar no mesmo idioma que o deles, como chefe política lúcida e articulada.

O interesse português era um só – mão de obra para outra colônia de além–mar, o Brasil. Embora fossem ricos em minerais, em diamantes, nada disso os interessou. Pois na época, o reino de Angola era o grande manancial abastecedor dos engenhos do Brasil. Sem o açúcar, não havia o Brasil. Sem negros não haveria o açúcar. Sem Angola, não havia negros. E, sem Angola não havia o Brasil.

Apesar da resistência de Njinga, o comércio era feito de modo avassalador. Os negros cativos ficavam em barracões, que podiam acolher cerca de 5.000 almas, que eram embarcadas rumo ao novo continente, em viagem longa, cuja duração podia ultrapassar dois meses, dependendo das condições climáticas. O porto e partida era Luanda, o maior centro de comércio escravagista africano. A cidade alcançara essa posição a partir do momento em que os escravos passaram a ser embarcados diretamente para as colônias americanas. Aproximadamente doze mil viagens foram feitas dos portos africanos para o Brasil, para vender, ao longo de três séculos, quatro milhões de escravos, aqui chegados vivos.

A despedida era simples. A cerimônia de batizado era na hora do embarque: - Seu nome é Pedro; o seu é João; o seu, Francisco, e assim por diante. Cada viajante recebia um pedaço de papel com um nome escrito. Então, um intérprete ironicamente dizia: "Sois filho de Deus, a caminho de terras portuguesas, esquecei tudo que se relaciona com o lugar de onde viestes, agora podeis ir e sede felizes".

A morte social despe o escravo de seus ancestrais, de sua família, e de sua descendência. Retira-o de sua comunidade e de sua cultura. Ele é reduzido a um exílio perpétuo.

E lá se vão, num navio abarrotado, sem alimentos adequados, sem sequer espaço para se acomodarem. Levam na memória, os cantos, as danças, os ritmos, as tradições. Levam Njinga e seu espírito combativo, a levam na memória, apesar das ordens para esquecerem tudo....

Os navios negreiros aportavam no Cais do Valongo, longe do rebuliço da cidade. Alí os escravos viviam em depósitos, a espera para serem comprados. Pois foi em 1779, por ordem do Vice-Rei, marquês de Lavradio, que nesta região se localizaram o cais, o mercado e as precárias instalações para abrigar os recém chegados.

Por ironia do destino, foi neste mesmo cais, que anos mais tarde, receberia em 3 de setembro de 1843, a princesa Tereza Cristina, futura Imperatriz do Brasil, e também mãe da princesa Isabel, aquela que terminaria de vez com o regime de escravidão. O cais foi remodelado e uma cenografia decorativa escondia aos olhos reais as imagens da pobreza extrema e a humilhação a que eram submetidos os recém chegados.

Presente em vários lugares em que houve a escravidão, a coroação de um rei e uma rainha negra era uma forma de diminuir o sentimento de inferioridade social, assim como as irmandades permitiam a reunião para reverenciar algum santo, mas sobretudo como relacionamento social entre os escravos.

"Nesta santa irmandade se farão todos os anos hum Rey e huma rainha os quais serão de Angolla, e serão de bom procedimento, e terá o rey tão bem seu voto em meza todas as vezes que se fizer visto da sua esmolla avantajada." O titulo a que se dava era Rei do Congo e a Rainha Njinga. A fama de Njinga atravessou os séculos e os mares, sendo evocada em festas populares no Brasil. Mas antes de se alojar no imaginário popular, as lições de Njinga foram muito provavelmente postas em prática na luta dos quilombolas de Palmares.

Com o intuito de se divertirem, as irmandades aproveitavam-se das comemorações dos dias dedicados a este ou aquele santo, para organizarem seus festejos. E era quase que o ano inteiro, pois S. Pedro, S. João, Santo Antonio, o Espírito Santo e outros tantos mais, se espalhavam no calendário. Tudo era oportunidade para comemorações festivas.

Na Festa do Divino, segundo Manuel Antonio de Almeida, embora os músicos fossem muito apreciados pelo publico, ele considerava que eram desafinados e desacertados: "Meia dúzia de aprendizes de barbeiro, negros, armados este, com um pistom desafinado, aquele com trompa diabolicamente rouca formavam uma orquestra desconcertada, porém estrondosa, que fazia as delicias dos que não cabiam ou não queriam estar dentro da igreja. Mas era musica buliçosa, um convite aos jovens à dança". Os instrumentos que usavam eram basicamente trombetas, trompas, cornetas, clarinetas e flautas e os de corda – as rabecas, violões, tambores, bumbos e triângulos também eram encontrados.

A festa reunia uma enorme economia e produção. Os fogos, no Campo de Santana, era a maior atração. Depois as barracas, com comidas e bebidas, show de ginástica e muita cantoria. A que fazia mais sucesso, entretanto, era

a barraca conhecida como Três Cidras do Amor, frequentada pela família e pelo escravo, pela plebe e a burguesia. Era um salão um tanto acanhado. Num dos cantos havia um teatrinho de bonecos com cenas jocosas e honestas. O conjunto de atrações das Três Cidras do Amor era longo e variado. Peças como Judas em Sábado de Aleluia eram encenadas. Depois do inicio do baile com valsas, as apresentações cada vez mais se afastavam de uma pretensa seriedade, e a dança tradicional e eletrizante do povo brasileiro assumiam o espaço, com os dançarinos bamboleando, cantando, requebrando-se, ondulando as nádegas a externuar-se, e dando umbigadas. Os homens e as mulheres que realizavam os indefinidos e inimitáveis requebros, umbigadas e movimentos lascivos não nasceram nos ricos salões de baile, estavam nas ruas, reuniam-se nas festas de largo, onde seus ritmos prediletos eram apresentados como atração e divertimento.

A junção dos violões, cavaquinhos e flautas já era praticada pelos músicos barbeiros,ou como insistem alguns especialistas, havia sido realizada nos casebres populares do Rio, mais precisamente na Cidade Nova.

Lá, destaca-se Tia Ciata, dando continuidade aos festejos que já aconteciam no Campo de Santana, abandonado pelos festeiros após a Reforma do local. Tia Ciata nasceu em Salvador em 1854, e aos 22 anos, trouxe da Bahia o samba para o Rio de Janeiro. Foi a mais famosa das tias baianas, trazendo também o candomblé, do qual era uma ialorixá. Na casa da Tia Baiana foi criado "Pelo Telefone", o primeiro samba gravado em disco, no ano de 1916, assinado por Donga e Mauro de Almeida. Na sua residência ecoavam livremente os batuques do samba e do candomblé.

Segundo Mary Karash, das danças escravas, como o lundu, capoeira e jardineira, a que ficou conhecida no século XIX por "batuque" é a mais próxima do samba carioca moderno.

O termo SAMBA, possuía uma clara origem angolana. O verbo kusamba, que significava saltear e pular, provavelmente expressasse uma grande sensação de felicidade.

Hoje,"O Samba é considerado como um produto da história social brasileira". De acordo com o presidente do Iphan, "O gênero musical e coreográfico pode ser considerado tanto como sendo próprio de comunidades culturais identificáveis (executantes e brincantes inseridos em agrupamentos sociais de pequena escala) e também no contexto da vida urbana, e da indústria cultural mediatizada. O vigor do Samba enquanto gênero cultural encontra-se em sua plasticidade e capacidade de gerar inúmeras variantes,

como o samba-de-roda, o samba carioca, o samba rural paulista, a bossa nova, o samba-reggae e outros mais, em suas diversas interpretações."

Aqui na Vila Isabel, que é de Noel, e de Martinho, devemos a ele esta história. Ele que, nos anos 70, fez sua primeira viagem ao continente negro e durante muitos anos foi a ponte entre o Brasil e Angola, sendo considerado um Embaixador Cultural. Levou a música brasileira como um presente ao povo amigo e irmão, através das vozes tão brasileiras de Caymmi, João Nogueira, Clara Nunes e ainda Chico Buarque, Miúcha, Djavan, D. Ivone Lara, entre outros. Três anos mais tarde, Martinho elaborou um projeto trazendo a música angolana para os brasileiros, a que chamou de O Canto livre de Angola.

Nosso samba.... seu semba ...por isso enquanto eu sambo cá.... você semba lá...

AUTORES DO ENREDO: Rosa Magalhães (Carnavalesca) & Alex Varela (historiador)
Mentor do enredo: Martinho da Vila

Bibliografia consultada:

ABREU, Martha. O Império do Divino. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. ALENCASTRO, Luis Felipe. O Trato dos Viventes. A Formação do Brasil no Atlântico Sul. S. Paulo: Cia. das Letras, 2000. KARASCH, Mary C. A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. LOPES, Nei. Kitabu. Rio de Janeiro: Editora Senac, 2005. MARTINHO DA VILA. Kizombas, Andanças e Festanças. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1992. MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Público do Estado, 1992. RODRIGUES, Jaime. De costa a costa: Escravos, Marinheiros e Intermediários no trafico de Angola ao Rio de Janeiro. São Paulo: Editora Schwarcz, 2005.