Carnaval

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Revistas de Carnaval


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Mangueira - 2014





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Livro de Enredo - 2014





Manual do Julgador - 2014




Manual do Julgador - 2013





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Abre-Alas - Domingo - 2014




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LIESA News - nº 13




Ensaio Geral - nº 32




Cante Com a Gente - nº 8




Mangueira - 2007




Mangueira - 2006







Ensaio Geral - nº 31





Mangueira - 2003





Beija-Flor - 2013






Beija-Flor - 2012



Beija-Flor - 2011



Imperatriz Leopoldinense - 1987


Roteiro dos desfiles - 2012 - Grupo Especial - Segunda-Feira





Salgueiro - 2013






Mangueira - 2010





Portela - 1976





Portela - 2012




Mangueira - 2005





Samba em Revista - nº 3






Mangueira -  2012




Mangueira 70 Anos







A voz do Morro - Nº 56



Cartilha do Samba - AESMRIO - Nº 03





Roteiro dos Desfiles - Domingo 2012





Separata Rio Samba e Carnaval - 1988





Separata Rio Samba e Carnaval - 1993






Separata Rio Samba e Carnaval - 2013



Separata Rio Samba e Carnaval - 2012





Vila Isabel - 2012



LIERJ - Série A - 2013



História do Samba - Capítulo 39




Plumas e Paetês - nº 1




Roteiro de Desfile - Salgueiro 2013





Portela - 2010





Panfleto Novo Sambódromo - 2012





Separata Rio Samba e Carnaval - 2011






Separata Rio Samba e Carnaval - 2010








 Separata Rio Samba e Carnaval - 2006




Vila Isabel - 2013






Abre-Alas (Revista de Exposição)







LESGA, nº 5





Mangueira - 2004





LESGA, nº 2






LESGA, nº1





LIESA News, nº 4, 2006.





Cante com a Gente, nº 07




Imperatriz Leopoldinense - 2012






Mangueira - 1973






Unidos da Tijuca - 2007








Império Serrano - 2009








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Samba em Revista nº 1








Mangueira - 2002






Mangueira - 1989





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Revista Carnaval - nº 15




Mangueira - 2011




Ensaio Geral - nº 30





Ensaio Geral - nº 29




Ensaio Geral - nº 28



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LIESA News - nº 12












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Cante com a gente - Nº6






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Cante Com a Gente





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Ensaio Geral - Dezembro de 2006


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Ensaio Geral - Dezembro de 2005


Ensaio Geral - Setembro de 2005


LIESA News - 2006, parte 1


LIESA News - 2006, parte 2


LIESA News - 2010


























quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Gente Humilde"




Bota - Abaixo e Passa - Fora! Final do século XIX, fim da escravidão no Brasil: cada negro livre, porém sem trabalho e sem moradia. O cenário do centro da cidade do Rio de Janeiro era de superpopulação, com ruas estreitas e muito trânsito vindo do porto. O Poder Público, com o apoio Federal, (já naquela época) sem saída para os problemas desse caos urbano e, junto a isso, um surto de epidemias... O que fazer? A solução encontrada foi demolir as moradias. "Cabeças de porco", cortiços, oficinas de fundo de quintal, ou seja, afastando a classe menos favorecida do Centro para uma reforma sanitária e urbana (inspirada na arquitetura e urbanismo Franceses); dando início, assim, ao famoso "bota abaixo". Surge, então, a ocupação das Freguesias que, pouco a pouco, vão se transformando em bairros urbanos com a extensão das linhas ferroviárias para a locomoção dos trabalhadores ao Centro da Cidade. E nasce assim o subúrbio carioca, com uma identidade própria, dentro de uma cidade considerada a capital cultural do país. Cada um no seu quadrado Hoje, na mesma ferrovia, voltando do trabalho, comecei a imaginar como as coisas no subúrbio mudaram ou se perderam com o passar dos anos. Sou suburbano sim, moro logo ali, num lugar para onde Cristo ficou de costas. Por que será? Por que não projetaram também um giratório nele? Deixaram-no olhando para o lado de lá, mas... Tudo bem, isso não vem ao caso, sei que Ele também olha por nós. Do outro lado, lugar onde vivo, existe um povo feliz e que luta como se o amanhã só dependesse dele mesmo. "É... Lá a chapa é quente... E que futuro pode ter toda essa gente?" (Como dizia o poeta). Será que o mapa anda meio desbotado justamente na parte onde moro? Onde moro não tem turistas, não tem famosos, e nem sai fotos nas revistas... Mas nos jornais sim, ah isso sai e muito... Também, da forma que a violência vem crescendo!!! Precisamos combate-la, e isso é fato! Mas será que o tal "carro de aço" que sobre o morro para extinguir o mal, não poderia ter também um acoplado a reboque que levasse educação, saúde e alimentação? Poderíamos ter menos foras da lei. "Para suburbano, pouca comida, e de sobremesa bala perdida" As coisas por aqui estão muito diferentes. Os cinemas eram as grandes salas dos bairros, pomposas por sinal, com cadeiras aveludadas, grandes escadarias e a famosa lojinha de pipoca na entrada. Hoje são nos shoppings e as antigas são usadas para "outros fins"... E com direito a "sacolinhas"! Mas hoje existem também os "sacolões", forma carinhosa que chamamos os hortifrutis. Em todo canto tem um. Comerciantes vão ao Ceasa e compram produtos para revender em seus estabelecimentos. É a necessidade dando lugar à criatividade que invade o mercado. E por falar em mercado, o de Madureira hoje é considerado o "Shopping da fé". Atualmente, ele é responsável pela maior venda de produtos religiosos da cidade. Uma promessinha aqui, uma macumbinha ali... Afinal, aqui vive um povo que, apesar de esquecido, traz em sua crença a esperança de construir um futuro melhor. "... Esqueceram de mim" Já que foram construídas vias de tudo que é cor, cavaram túneis, encurtaram distâncias, mas tudo isso só serviu para vermos mais de perto o que não temos. Não poderiam ter construído mais caminhos que nos levassem à igualdade social? A originalidade está sendo posta de lado. Não posso mais sair pelas ruas sem a preocupação de encontrar os ditadores de tendências de moda pelas esquinas. As crianças não brincam mais pelas calçadas, não soltam pipas, quase não jogam mais futebol e não sonham mais em ser um craque da bola. Hoje não temos mais aquele famoso festival de pelada com direito a raspa-raspa de groselha, onde nasceram grandes craques internacionalmente conhecidos. Quantas seleções formaríamos só com os craques revelados do subúrbio? Muita coisa mudou. Nos almoços de domingo era sagrada aquela galinha caipira preparada com tanto carinho pela minha mãe. Lembro que os vizinhos se reuniam para conversar até altas horas, amigos jogavam dominó ou sueca pelos bares, enquanto "molhavam a palavra numa boa". Mas criaram uma lei que secou do lado de cá, pois ninguém bebe no subúrbio morando na Zona Sul. Certas coisas só aconteciam no subúrbio como, por exemplo, pintar a casa no natal, usando o 13º salário. Existia um certo orgulho do lugar onde morávamos. Eram "casas simples, com cadeiras na calçada, e na fachada escrito em cima que é um lar". ... Mas o sol brilha para todos! Na luz do amanhecer, nasce também a esperança de cada dia de uma gente forte e que, apesar de tudo, continua alegre e festeira, "sacudindo a poeira suada da luta e fazendo a brincadeira"! Esse é o povo que sempre buscou em coisas aparentemente simples uma forma de ser feliz. Inventou ou preservou festas, descobriu também nos blocos carnavalescos de rua que a desorganização era a tônica da coisa e, com fantasias e instrumentos improvisados, mostravam a marca do nosso humor. E hoje grandes Escolas de Samba, também oriundas do subúrbio, fazem parte de uma cultura das maiores festas do mundo. Afinal, o nosso carnaval faz parte do patrimônio cultural do Rio de Janeiro e isso nunca pode acabar! Vamos resgatar o que perdemos e preservar o que nos resta de bom. Pois vejo raiar o sol de dias melhores... ... E eu que creio peço a Deus por minha gente, é gente humilde!

Enredo: Amauri Santos e Paulinho do Ouro
Pesquisa: Luiz Carlos Máximo

Sinopse da Rocinha, carnaval 2011

Rocinha! Estou vidrado em você


Hoje vou mostrar, com transparência, minha longa vida de transformação ao lado do Homem. De lendas criadas sobre minha descoberta à datação de peças achadas em escavações arqueológicas e, principalmente, todas as mudanças que minha existência proporcionou ao dia a dia do ser humano. Conta a lenda que nasci de uma alquimia acidental, quando numa fogueira feita por fenícios, sobre a areia, foram depositadas pedras de sílica que junto com o fogo fez na manhã seguinte um líquido viscoso escorrer desta fogueira. Esse, ao esfriar, cristalizou-se como uma pedra preciosa encantando os mercadores. Minha existência é milenar. Achados arqueológicos indicam o meu uso em peças pequenas de bijuteria e decoração. Adornei faraós, enfeitei suas tumbas e guardei produtos de beleza de reis e rainhas em formas ainda rudimentares. Fui desejado por impérios e comercializado como jóia. Em terras egípcias, os fornos foram aquecidos por foles que aumentaram minha temperatura, facilitando o meu manuseio. Fui soprado como um balão e deram formas novas a meu existir. Levado ao ocidente, por romanos conquistadores que, com técnicas mais apuradas, moldaram a arte de me criar. Na Idade Média, narrei histórias religiosas para seus fiéis em mosaicos coloridos que adornavam as catedrais. Com o meu amadurecimento, fui misturado e modificado. Adicionando chumbo, virei cristal e, pintado com prata, refleti a imagem deste criador. Ao lado do ouro, decorei os mais lindos castelos e me tornei um precioso artigo de ostentação para nobres. Com a areia escorrendo dentro de mim, marquei o tempo e vi a popularização do meu uso chegar às mãos dos meros mortais, ajudando a focar suas visões e a matar suas sedes. Temperaram minha alma, e deixei o mau tempo do lado de fora. Da chuva e do vento, protegi os seus passeios sobre rodas. Um brinde à vida no tilintar dos meus encontros. O tempo todo estou ao lado de vocês, será que não percebem isso? Minha natureza inusitada faz com que eu assuma várias formas e tenha muitas utilidades. Eu queria ter visto Thomas Edson acender sua lâmpada sem minha transparência. A ciência e a tecnologia me impulsionam sempre à frente. A comunicação via rádio e televisão não existiriam sem que meu corpo protegesse as antigas válvulas incandescentes. O homem enxergou o espaço e olhou para dentro de seu corpo ajustando o foco em minhas lentes, observou o microcosmo que o cerca, misturou fórmulas em meus recipientes. Dados percorrem o meu ser levando informações de alta qualidade pelo mundo, e, assim, eu sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer com o meu inventor. Voaremos nas asas vidradas de uma borboleta rumo ao desconhecido.

Texto: Luiz Carlos Bruno
Carnavalesco assistente: João Victor
Revisão: Hermínio Mattos Russo e Maria Gabriela Matos de Oliveira.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sinopse do Império Serrano, carnaval 2011

"A Benção, Vinícius"

Vinícius começou falando através da poesia. Conhecido hoje como compositor popular, Vinícius de Morais, na década de 30, produziu alguns poemas que chamaram a atenção da crítica. Os seus primeiros livros - "Caminho parara Distância" e "Forma e Exegese" - são afogados em longos versos retóricos. Depois surgem as "Cinco Elegias", ele é idealista, é romântico e é simbolista. Em suas poesias mistura valores de uma mitologia clássica e pagã com um mitologia individual. A mulher é o grande tema da poesia de Vinícius. No poema "A Legião dos Urias", surge uma confraria de cavaleiros sádicos, cuja função é sair à luz da "Lua" castrando as mulheres sob as ordens de uma "Grande Princesa". A imagem da lua pode ser ambiguamente positiva ou negativa. É a figura da "Grande-Mãe". Através dos tempos a imagem da mulher angustia o imaginário masculino, pois tem ligações com comportamentos míticos intemporais. Aqui a "Lua" é a imagem da mãe fálica, cruel e castradora. É como se Afrodite deixasse de ser a ninfa sedutora, para ser Afrodite guerreira que é chamada de "Andrófoba", que assassinava todos os amantes. Não há como não associar ao mito das "Valquirias" e das "Amazonas" às imagens daqueles "Cavaleiros Urias", que cumprem as ordens de uma grande princesa lunática. A palavra "amazona" é tida como de origem Armênia, significando "mulher da lua", pois as sacerdotisas da "Deusa-Mãe", consideravam a "Lua" como seu emblema. Os "Cavaleiros" vem à meia-noite pelas montanhas, "pelos grotões enluarados sobre cavalos lívidos", seguindo co vento gelado. São os prisioneiros da "Lua" e servem à "Grande-Princesa", lançando "uivos tétricos" numa cavalgada fantástica, e "pingam sangue das partes amaldiçoadas". No poema de Vinícius, essas figuras nefastas e castradoras do desejo aparecem "sobre cavalos lívidos que conhecem todos os caminhos". Pairando sobre tudo está brilhando o "rubro olhar implacável da Grande-Princesa", figura lunar, feminina, castradora, olhando impassível das alturas, enquanto eles como templários, oferecem sacrifícios a sua Ísis. "A Legião dos Urias"
Quando a meia-noite surge nas estradas vertiginosas das montanhas Uns após outros, beirando os grotões enluarados sobre cavalos lívidos Passam olhos brilhantes de rostos invisíveis na noite Que fixam o vento sem estremecimento. São os prisioneiros da Lua. Às vezes, se a tempestade Apaga no céu a languidez imóvel da grande princesa Dizem os camponeses ouvir os uivos tétricos e distantes... Mas um dia a grande princesa os fez enlouquecidos, e eles foram escurecendo... E desde então nas noites claras eles aparecem Sobre cavalos lívidos que conhecem todos os caminhos E vão pelas fazendas arrancando o sexo das meninas e das mães sozinhas... Depois amontoam a presa sangrenta sob a luz pálida da deusa E acendem fogueiras brancas de onde se erguem chamas desconhecidas e fumos Que vão ferir as narinas tremulas dos adolescentes adormecidos Que acordam inquietos nas cidades sentindo náuseas e convulsões mornas. Eles erguem cantos à grande princesa crispada no alto E voltam silenciosos para as regiões selvagens onde vagam. Volta a Legião dos Urias pelos caminhos enluarados Uns após os outros, somente os olhos, negros sobre cavalos lívidos... São eles que abrem os olhos inexperientes e inquietos Das crianças apenas lançadas no regaço do mundo Para o sangue misterioso esquecido em panos amontoados Onde ainda brilha o rubro olhar implacável da grande princesa. Não há anátema para a Legião dos Urias... Oh, se a tempestade boiasse eternamente no céu trágico Oh, se fossem apagados os raios da louca estéril Oh, se o sangue pingado do desespero dos Cavaleiros Urias Afogasse toda a região amaldiçoada! Mas a Legião dos Urias está espiando a altura imóvel Fechai as portas, fechai as janelas, fechai-vos meninas! Eles virão, uns após os outros, os olhos brilhando no escuro Fixando a Lua gelada sem estremecimento Chegarão os Urias, beirando os grotões enluarados sobre cavalos lívidos Quando a meia-noite surgir nas estradas vertiginosas das montanhas. Marcus Vinícius da Cruz de Mello Morais nasceu no dia 19 de outubro de 1913, ainda menino mudou-se para a Ilha do Governador. Para Vinícius foi ótimo, ilha, praia, pescadores, ambiente com o qual Vinícius conviveu e que mais tarde aparecia com freqüência em sua temática. Se na ilha conhecia o que falar, em casa ia aprendendo como falar. O pai era amigo de Olavo Bilac, fazia poemas e arranhava o violão. Dona Lígia sua mãe tirava tangos no piano. Em 1933 Vinícius obteve o diploma de Bacharel em Direito, mas só agüentou um mês de fórum, logo sucumbindo à atração do jogo de sinuca que havia por perto. A faculdade foi importante apenas pelos amigos. A vida intelectual e as poesias ele as ocultava de sua outra turma, a da pesada (cachaça, carnaval e pancada), que freqüentava em Copacabana. De repente tornou-se um "afamado autor": ganhou com o livro "Forma e Exegese" o prêmio "Filipe de Oliveira". Com Paulinho Soledade, Fernando Lodo, Aracy de Almeida e Antonio Maria, juntos fundaram o "Clube das Chave" - cinqüenta sócios, todos com uma chavinha e um armário para guardarem as garrafas. Em 1961, um rapaz magrinho tocou a campainha da casa do poeta e foi logo dizendo: - Eu sou Carlos Lyra e queria mostrar uma música para você. Lyra encontrou em Vinícius um tipo de sensibilidade especial para detectar a combinação perfeita entre melodia e poema. Desse encontro nasceram: "Coisa mais Linda", "A Primeira Namorada", "Nada como ter Amor", "Você e Eu", "Minha Namorada", "Maria Moita" e "Marcha da Quarta-feira de Cinzas". O ano de 1961 ainda traria outro grande parceiro. O encontro se seu durante um show de Tom na Boite Arpege. Da parceria com Tom surgiram a "Sinfonia da Alvorada" uma obra composta a pedido do presidente JK para exaltar a cidade de Brasília, o musical "Orfeu da Conceição" e a música brasileira mais cantada no mundo inteiro "Garota de Ipanema", além de muito outros grandes sucessos. Vinícius foi apresentado numa boite ao Banden, onde ele tocava guitarra elétrica. Baden nasceu na modesta cidade de Varre-e-Sai, norte do estado do Rio. Quando se mudou para o Rio, ainda menino, sua vida se passou ao pé do morro, no subúrbio de São Cristóvão, enquanto Vinícius circulava desenvolto pela zona sul. Baden virava noites no Cabaré Brasil, na Lapa, afogado no violão para sobreviver. Um dia Vinícius marcou um encontro, no terraço do Hotel Miramar, em Copacabana, onde tocaram juntos pela primeira vez. Daí surgiu uma grande parceria. Baden levou Vinícius ao mundo do samba de raiz africana. Na companhia de Baden, o poeta promoveu uma virada em sua carreira, entrou em cena o candomblé, amparado em orixás, magias e rituais. Entrou a música de capoeira, entraram os sambas de roda, os maneirismos de fundo de quintal. O produto dessa parceria foi: "Canto de amor e Paz", "Samba em Prelúdio", "Pra que Chorar", depois veio a série de sambas afros: "Berimbau", "Canto de Ossanha", "Canto de Xangô", "Canto de Yemanjá", "Bocoche" e "Lamento de Exu". Isso fora: "Consolação", "Samba da Benção", "Tempo Feliz", "Astronauta", "Apelo", "Tem Dó", etc. Em 1968, Vinícius acabava de gravar um disco com Giuseppe Ungaretti e o cantot italiano Sergio Endrigo, porém faltava o alinhavo de um violão que amaciasse a aspereza das palavras. Surgiu o nome de Toquinho que foi indicado por Chico Buarque. Assim surgiu mais um parceiro. Foi de certo modo o Toquinho quem adotou Vinícius, foi um pai às avessas. Estranho pai, mais desorientador que orientador. Dessa parceria nasceu: "Tardes em Itapoã", "Como Dizia o Poetra...", "Na Tonga da Mironga do Kabuletê", "A Benção Bahia", "Mais um Adeus", "A Vez do Bonde", "O Grande Apelo", etc. A relação do poeta com seus parceiros musicais foi norteada pela grandeza. Esteve sempre bem acompanhado. Mesmo quando só - pois Vinícius foi muitas vezes seu próprio parceiro. Compôs com Tom Jobim, Banden Powell, Carlos Lyra, Pixinguinha, Adoniram Barbosa, Ary Barroso, Edu Lobo, Antonio Maria, Chico Buarque e Toquinho. A lista é longa porque reúne imensa disparidade de temperamentos, estilos, classes sociais, humores, gerações. Mas o poetra foi farto e generoso o bastante para conviver com todos eles. Teve também muitos parceiros bissextos: Raimundo Fagner, Carlinhos Vergueiro, João Bosco, Vicente Barreto. Foi cirando parcerias ao longo da vida. Buscou em cada parceiro uma espécie de espelho, uma figura que o completasse, que caminhasse com ele. Vinícius sempre soube deixar as gerações para trás quando as sentia envelhecidas. Sabia perseguir o tempo sem perder o passo. Quanto mais veloz era a vida, mais numerosos os parceiros, mais envolventes as mulheres, melhor a poesia. Essa multiplicidade emprestava ao poeta aquela imagem de que ele não acabaria nunca. Ele flutuava sobre a vida real, como um anjo gordinho.

Alexandre Colla




Músicas de Vinícius de Morais citadas no enredo:

1 - Samba da Benção

2 - Garota de Ipanema

3 - Tardes em Itapoã

4 - Se Todos Fossem Iguais a Você

5 - Gente Humilde

6 - Na Tonga da Mironga do Kabuletê

7 - Lamento de Exu

8 - Canto de Ossanha

9 - Roda de Hiroshima
10 - Flor da Noite

11 - Samba da Rosa

12 - As Cores de Abril

13 - Rancho das Flores

14 - Aquarela

15 - O Leão

16 - A Faca

17 - A Galinha de Angola

18 - O Pato e a Corujinha

19 - Viva o Amor
20 - Poema aos Olhos da Mulher Amada

21 - Um Amor em Cada Coração

22 - Marcha da Quarta-feira de Cinzas

23 - Serenata do Adeus

24 - Arrastão

Sinopse da Estácio de Sá, carnaval 2011

ROSAS




Justificativa

Quando o carnaval chegar...
"...Quando o carnaval chegar,
Fantasiar-me-ei de rosas...
O mundo irei perfumar,
Dançarei bela e dengosa..."
(Autor Desconhecido)

Fechem os olhos!
Sintam o aroma inebriante das rosas.

Sinopse
A Rosa Benevolente - De Cabrochas e Malandros Abram-nos! É carnaval! Desfilam os Ranchos Carnavalescos pela cidade... Relembrando toda a influência do folclore baiano, dos mesmos Ranchos que desfilavam na Bahia em dia de Reis. Apresentam-se as Pastorinhas, cantando, dançando e fazendo a guarda do pavilhão, perfumando ruas com o aroma das rosas e ornando alegorias. Dos Ranchos veio a inspiração direta para que muitos sambistas logo criassem as primeiras escolas de samba da cidade. Ismael Silva, Bide, Marçal, Baiaco, Brancura e Mano Edgar fundaram aos pés do morro de São Carlos a primeira escola de samba do Brasil, Deixa Falar. Afloram-se hoje na Estácio de Sá os desejos mais intensos, as mais belas rosas perfumadas. Ao chegar ao Berço do Samba vejam com esmero nossas cabrochas vestidas nas cores da paixão, sempre com suas rosas ao cabelo. Da nossa malandragem faceira com suas rosas ao terno risca de giz desfilando elegantes em nosso reduto de bambas que receberam as rosas como heranças dos Rancheiros. São os filhos de nossos grandes poetas da Deixa Falar, hoje Estácio de Sá. A mais bela e perfumada dentre todas as rosas de um jardim! A Rosa do Amor - O Símbolo dos Deuses Rosas do Amor... ...que nasceram da espuma do mar quando a Deusa Afrodite, por Clóris deusa do amor e da beleza, vê sua paixão Adonis ferido. Ao tocar o mar, suas lágrimas perfumadas transformam-se em rosas brancas. Afrodite ferida por um dos espinhos tinge todas as rosas de vermelho e deixa cair sobre o mar de rosas um aroma suave dos deuses... ...cultivadas no jardim criado por Orzmude, segundo a mitologia iraniana. És majestoso onde a vida plena de prazeres é semeada com rosas e exuberantes aves de penas de rubis... ...que foram semeadas em forma de rosas prateadas nos Jardins Suspensos da Babilônia pelo Rei Nabucodonosor, como agradecimento aos deuses e oferenda aos seus inúmeros casos de amor... ...enfeitando os salões do palácio de Cleópatra. A rainha preparou uma festa onde aos pés eram visto rosas a fim de seduzir seu grande amor: Marco Antônio. Diziam que a mesma tomava banho de leite com rosas... ...nas grinaldas da Rainha de Sabá. Vestida de jóias em visita ao seu grande amor, Rei Salomão, a rainha levou consigo um cortejo de belas jovens que se confundiam com a beleza das rosas que a ornava... ...cósmicas na Índia sendo o símbolo da beleza e da mãe divina. Triparasundari ou a rosa de Lótus simboliza a taça da vida, a alma e o coração. Até hoje cultuadas como mandala, ou centro místico de realização ao amor divino. ...inspiradora de grandes paixões. A Rosa da Fé - Sagrada e Profana Rosas da Fé... ...que no princípio foi rejeitada pelo cristianismo devido a sua relação com o paganismo. Surgiram banhadas em ouro como símbolo do poder e de proteção aos devotos em procissões. A cada quarto domingo da Quaresma o Papa abençoava um de seus devotos príncipes católicos com uma Rosa de Ouro... ...desenhando rosáceas dos vitrais das catedrais góticas e atribuídas as Virgens Marias. O Cristianismo oficializou por São Bernardo a Rosa como o símbolo da virgem. O rosário ou jardim de rosas se aplicou em guirlandas trançadas para coroar as estátuas da Virgem Maria. Quando a Mãe de deus aparece aos devotos, rosas nascem aos seus pés... ...em devoção com os peregrinos. Na forma de agradecer ao santo devoto a graça alcançada em procissões e círios, sejam lançando pétalas sobre o cortejo ou ornando ricamente as berlindas. Nas cerimônias adornando as igrejas e abençoando casamentos, batizados e sendo lançadas como o símbolo da paz, da união e da renovação... ...sagradas e profanas. Como oferendas aos Orixás, cultuadas à rainha do mar Iemanjá, ao mar como pedido de paz e serenidade a cada ano que se inicia. O sincretismo religioso ganha força na lavagem do Senhor do Bonfim, que no sincretismo é Oxalá. As águas de cheiro de Rosas purificam o átrio da igreja e suas escadarias, ao som de atabaques e cânticos africanos... ...purificadoras da alma. A Rosa Folclórica - Colorindo o meu país. Rosas Folclóricas... ...alegres, coloridas e faceiras ganharam o jeito de retratar nosso país de maneira diferente. No Brasil foram introduzidas pelos Jesuítas e tiveram na arte sacra sua maior expressão. Na religiosidade ganhou pelas mãos dos artesãos beleza em: madeira, na pintura e na costura. ...das rédeas das Cavalhadas, recriando os folguedos medievais; ao redor das pombas do divino espírito santo pela Festa do Divino; representando o poder na coroação do Rei e da Rainha do Maracatu; estampando rosas natalinas nos brincantes da Folia de Reis; enfeitando as saias das mulatas do Tambor de Crioula; encenando ricos desenhos de bordados do Bumba-Meu-Boi e ganhando um toque de feminilidade ao colorir os tecidos que vestem os quadrilheiros ou sendo expostas nos bustos das sinhazinhas... ...sinônimo da alegria. A Rosa Musa - Inspiração dos Poetas. Rosas Musas... ...a feminina rosa ao seio de a ´´Rosa no Mar`` de Gonçalves Dias; o amor perdido, desbotado de ´´Rosa Murcha`` de Casimiro de Abreu; tú és divina e graciosa, estátua majestosa do amor de ´´Rosa`` de Pixinguinha; das rosas que falam de ´´As Rosas não Falam`` do mestre Cartola; da morenisse da mulher de ´´Rosa Morena`` de Dorival Caymmi... ...das cantigas de roda: Do cravo que brigou com a rosa, de uma linda rosa juvenil enfeitiçada por uma bruxa má e despertada por um Rei... ...da impiedosa ''Rosa de Hiroshima'' do poetinha Vinícius de Moraes. A rosa radioativa, estúpida e inválida que mata. A lição de que a mesma rosa que origina o amor nas pessoas causa a morte. Um tributo de paz ao mundo! ...inspiradoras de grandes poetas. ...musa do meu carnaval.
Marcus Ferreira
Carnavalesco