Carnavalesco: Jaime Cezário
Texto: Jaime Cezário e Marcos Roza
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sinopse da Cubango, carnaval 2011
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Sinopse da Inocentes de Belford Roxo, carnaval 2011
Oi Gentis! Baseado na emoção, musicalidade, sonhos e irreverências dos meninos de Guarulhos. Cantaremos e sambaremos através da ótica da alegria... Irreverentes, os mamonas assassinas manifestaram de forma inovadora uma gama de desejos e pensamentos. Em suas musicas existem características peculiares atentando para pessoas que trabalham e lutam muito na vida, em busca de seu lugar "a sombra" já que o sol nasceu pra todos. Esse é o ponto alto do sucesso deles, já que o povo de um modo abrangente identifica-se com suas letras alegres, envolventes, irreverentes, mas que, ao mesmo tempo, chama atenção para as grandes diferenças com as quais convivemos. Cantavam de maneira escrachada, debochada e hilária as dores, as carências e os desejos do ser humano. Os rapazes preferiram fazer as pessoas sorrirem ao invés de lamentarem a própria realidade e conseguiram através de suas músicas mostrar o cotidiano real de um povo sofrido, porém perseverante, com uma mistura inteligente de Rock do bom, samba, forró, Have Metal, entre outros. Eles com genialidade musical conseguiram em suas composições sintetizar características e vivências reais de nosso cotidiano como desejos, ciúmes, traições, preconceitos, raiva, desprezo, abandono, entre outros sentimentos arraigados dentro de cada um de nós. Uma de suas características era acreditar naquilo que diziam em suas músicas. Até hoje há uma mágica e um enorme poder de domínio ao exaltarmos suas canções! A magia dos meninos de Guarulhos que marcaram e invadiram nossos corações nos anos 90, com a alegria que lhes era peculiar mostrando-nos uma nova forma de fazer música, influenciados por gêneros e personagens populares conquistando o país de uma forma meteórica atingindo assim de forma avassaladora ao público de todas as idades, etnias e classes sociais. Os Mamonas transformavam bagunça em arte, desobediência em música. Eram ingênuas, boas dançantes com letras e rimas incríveis dentro do contexto que representam. Falavam que "minha felicidade era um crediário nas lojas" ou versos de incrível genialidade como "quando estou no trabalho, não vejo a hora de descer do andaime e ver o Van daime" música bem brasileira com uma linguagem simples e de fácil compreensão. Um retrato alegre do Brasil. Sua arte era prazer popular rock operário loucura e circo, pobreza e prazer. A perseverança , paixão pela música e o sonho de vencer é uma lição de vida deixada para todos aqueles que almejam uma vida melhor, um mundo mais justo Não devemos jamais desistir de nossos sonhos, canta Inocentes Mamonas para sempre!
Sinopse da Império da Tijuca, carnaval 2011
Era uma vez o desejo de criar roupas diferentes. Fantasias. Fantasias únicas, cheias de histórias, encharcadas de sorrisos e abraços. Fantasias que trouxessem notícias de todo o mundo e de sua gente. Fantasias que representassem atos e datas. Que mostrassem motivações religiosas ou apenas contassem fatos históricos que tenham marcado a vida e a memória do povo. De todas as manifestações culturais existentes pelo mundo, o Carnaval é, certamente, o evento que se realiza em quase todos os cantos do planeta com maior divulgação e participação popular. Festividade singular e multifacetada onde esses trajes ganham vida, impregnados da cultura de quem faz, participa, assiste e se diverte. Não apenas pelas características da festa, dentre as quais a alegria e a beleza são as mais constantes, que o Carnaval faz parte dos calendários de tantos, tão diferenciados e mais distantes povos. Também é, porque funciona como uma necessária “válvula de escape” da vida cotidiana, em que as pessoas procuram esquecer, nesses poucos dias, a dura realidade para entrar num mundo de sonho e fantasia, onde as brincadeiras, as danças, os cortejos e diversas outras manifestações momescas são permitidas e apreciadas, sendo, então, a ordem reinante. Era uma vez o desejo de construir uma história em permanente transformação, embalada por muita folia e festança. Uma história que carregasse a alegria de brincar dos festejos populares e a riqueza cultural de muitos povos. Muitas surpresas e expressividades autênticas apareceram ao longo dessa busca. Muitas roupas, fantasias, muitas músicas, muitas danças… Percebemos, ao longo desse caminho, que a valorização da cultura e da identidade de cada povo é o fator predominante que torna possível a reunião de modos tão diversificados de comemoração e de realização do Carnaval. Podemos, portanto, afirmar que, através deste festejo mundial, as sociedades conseguem mostrar a sua cara, a sua essência, os seus traços culturais, históricos, sociais e, sobretudo, artísticos. Ao olhar o caminho trilhado pelos diferentes carnavais, notamos o cuidado de mãos curiosas ao confeccionar cada peça, cada detalhe, cada modelagem, cada fantasia. Notamos também a existência de intensa pesquisa que permeia o processo de criação de gestos e ritmos, de forma personalíssima e encantadora. O giro maravilhoso, alegre e envolvente de nossa coroa imperial dará o tom deste carnaval numa viagem pelas manifestações artísticas carnavalescas, mostrando que no mundo todo tem Carnaval e o Carnaval do mundo todo estará representado alegoricamente neste nosso carnaval, reverenciando a diversidade da cultura dos povos com a qual a Império da Tijuca se vestirá em 2011 para encantar a Sapucaí. 1º SETOR “O COMBATE ENTRE O CARNAVAL E A QUARESMA” De forma bastante rudimentar, na Idade Média europeia, as pessoas já se divertiam pelas ruas no período carnavalesco, incentivadas a partir da instituição indireta do Carnaval pela Igreja Católica, a qual determinou à população a proibição dos prazeres mundanos durante quarenta dias, a quaresma, em referência aos dias de penitência de Cristo no deserto, para dedicarem-se somente à reflexão espiritual. Antes de iniciar essa difícil abstinência aos deleites proporcionados ao corpo, o povo começou a realizar festas em que imperavam a comilança, a bebedeira, as cantorias e outros divertimentos considerados pecaminosos. Mãos em movimento, partilhando, dividindo e criando coletivamente o brincar carnavalesco. Os jovens, reunidos, formavam as Sociedades Alegres, saindo às ruas para festejar o Carnaval medieval com espirituosas brincadeiras, conhecidas como Charivaris. Uma dessas brincadeiras satíricas tinha como alvo de zombaria os casais com características díspares gritantes e as tristonhas viúvas. Alegria do povo em desconstruir e transgredir a realidade social. Folia de brincar em uma imensidão de descobertas, desfiando e tecendo sonhos e desejos secretos e coletivos para serem partilhados publicamente. Um dos mitos mais conhecidos desse período histórico está na crença da existência de um lugar de excessos onde era sempre Carnaval, o País da Cocanha, terra imaginária na qual seus habitantes tinham fartura de comida e bebida além da tão desejada eterna juventude. Até hoje esse imaginário de desregramento e abundância dos prazeres está presente nas celebrações carnavalescas de diversas cidades no mundo inteiro. Este lugar fantasioso e a imagem alegórica do Combate da Dona Quaresma contra o Senhor Carnaval, que mostram bem o imaginário carnavalesco medieval, foram registrados, para nossa sorte, na célebre pintura de Pieter Bruegel. A ideia de aproveitar a vida no período carnavalesco era tanta que a nobreza, para poder participar dos festejos, passou a se disfarçar usando máscaras para se misturar ao povo, num ambiente que afaga, instiga e convida ao aguçamento dos sentidos, da convivência pacífica e de permissão à alegria de viver. Desde então, a cidade de Veneza, na Itália, ganhou fama e tornou-se um dos carnavais mais procurados por turistas, que ficam fascinados com a tradição e o romantismo peculiar do local, com foliões usando trajes de séculos passados, adornados por lindíssimas e variadas máscaras confeccionadas por artistas vienenses. Com o propósito de organizar uma diversão diferente, composta por carroças enfeitadas de flores transitando pela rua principal e por passeatas de cidadãos mascarados, foi criado no século dezoito por burgueses locais, o também famoso e emblemático Carnaval da cidade Viareggio. Com o tempo, os carros alegóricos articulados, feitos de papel-machê retratando caricaturalmente políticos e outras personalidades, foram ganhando espaço e hoje são apreciados como obra de arte carnavalesca da cultura italiana. Assim, o convívio prazeroso próprio do Carnaval imprime, em qualquer época, ao acervo de fantasiados e de alegorias um caráter único que o faz pertencer a muitos e a cada um, sem perder o caráter artístico que traduz a cultura de cada povo. 2º SETOR CARNAVAIS DE INVERNO Também remontam de tradições seculares, carnavais de algumas cidades de clima frio. Nesses lugares, a roupa que antes somente protegia e aquecia a pele dos habitantes passa a ter a função, nesses dias, de inserir os indivíduos no contexto do divertimento coletivo, já que o frio contribui para o uso de fantasias, numa espécie de conexão social ritualizada. Na Alemanha, acontece um dos carnavais mais antigos do mundo, na cidade de Colônia, fundada pelos romanos e situada às margens do rio Reno. A festa carnavalesca, que começa tradicionalmente às onze horas e onze minutos, é regada a muita cerveja e música e conta com milhares de foliões fantasiados de todas as idades. Durante os cortejos, costumam ser atirados ao público, que carrega sacolas para guardar os presentes ofertados, muitos doces, flores e quinquilharias para todos os gostos. Além dos bailes à fantasia, um dia é reservado às brincadeiras das mulheres, que cortam as gravatas de seus maridos e colegas de trabalho, marcando a simbólica tomada do poder feminino. Várias cidades pelo mundo conseguem mobilizar seus moradores para a construção da festa carnavalesca. Em Binche, um pequeno vilarejo da Bélgica, o Carnaval se instala por sete semanas, por causa dos eventos relacionados que antecedem os dias principais da folia. Com uma tradição do século quatorze, o divertimento dos habitantes está em apresentações musicais e danças típicas e, como ponto alto, a marcha dos palhaços Gilles pelas ruas da cidade, vestidos com roupas de cores vibrantes, usando máscaras de cera, tamancos, e carregando cestas de laranjas que são atiradas no público que os assiste. Nessas regiões, os moradores têm o hábito de preservar suas tradições culturais, porque elas guardam sua memória, sendo também formadoras de suas identidades. Em Basileia, na Suíça, as pessoas saem às ruas estreitas durante o dia e em altas horas da noite para festejar o feriado, com bandas animando os foliões fantasiados, usando máscaras com caricaturas engraçadas, formando um belo cortejo. É comum ainda alguns grupos saírem cantando e representando pelos bares, enquanto outros brincam fazendo barulho desordenado. Nesses dias festivos, o inverno rigoroso suíço é substituído pelo calor dos brincantes que tomam a cidade com sua infinita empolgação. Por falar em tradição, transformar gelo e neve em motivo de diversão e de congraçamento entre as pessoas é característica marcante de povos que vivem em regiões glaciais. Para comemorar o Carnaval, desde o século dezenove, a cidade de Quebec, no Canadá, realiza, durante dezessete dias, atividades desportivas e artísticas, como corrida de canoa e de trenós, exposições, shows, desfiles e concurso de esculturas. Dentre tantas atrações, neste festival, destacam-se um palácio de gelo iluminado e um gigantesco boneco de neve, construídos anualmente para encantar turistas e crianças do mundo inteiro. Na Riviera francesa acontece um dos carnavais de inverno mais antigos e animados, com desfiles diários, batalhas de flores e de confetes, concertos e apresentações teatrais de rua. Em Nice, por três semanas, o folião se esbalda na arte de brincar o Carnaval, participando de uma série de atividades divertidas, apreciando desfiles de carros alegóricos decorados com flores perfumadas e lindas mulheres, personagens usando trajes extravagantes, marionetes, palhaços, trupes de samba e show pirotécnico que ilumina a mágica cidade banhada pelo mediterrâneo. 3º SETOR CARNAVAIS CALIENTES Colonizado pelos europeus, o continente americano contém marcas da tradição de povos nativos ancestrais e de elementos que foram sendo incorporados pelos povos que hoje habitam estas regiões. Muitos países latino-americanos fazem do período carnavalesco uma ocasião para mostrar e revitalizar sua cultura, cuja ênfase está no uso de coloração intensa, com apresentações de grupos folclóricos, bandas de música, trupes mambembes, concursos, bailes, danças típicas e desfiles de cortes que podem acontecer simultaneamente em várias partes do país, com muitas outras atrações diversas. A predominância do colorido e de desfiles totêmicos, feitos com o uso de flores e frutas e esculturas de animais diversificados como adorno das peças mostradas nos desfiles é bastante realçada nos carnavais latinos. Em Guaranda e Ambato, no Equador, acontecem festivais de flores e frutas e aparece também a figura demoníaca em forma de fantasias. Já na República Dominicana, a população se diverte, nesses dias, fantasiada de diabo coxo, correndo pelas ruas para assustar as pessoas com chicotes e açoites de bexigas, usando capas e ricas máscaras em forma de animais ou rostos deformados. Outra variante de brincadeira carnavalesca dominicana é o Roubo da galinha, que consiste em um personagem caricato fantasiado, com seios e traseiro abundantes, que passa pelas ruas pedindo doces ou dinheiro aos comerciantes locais para seus filhotes, que são os jovens que seguem a procissão cantando quadras repetidas. Durante os meses de Janeiro e Fevereiro, a cidade de Gualeguaychú, na vizinha Argentina, se veste de festa para brindar um dos espetáculos mais esperados da região: o carnaval. Capaz de congregar milhares de entusiastas que desfrutam do brilho, da alegria, da emoção e do ritmo das comparsas que desfilam no corso local. Durante o percurso, os foliões experimentam e sentem o verdadeiro sentido desta majestosa festa, liberando-se das ataduras sociais e culturais que organizam a sociedade contemporânea. A cultura indígena é acentuada nessas manifestações populares e alguns grupos carnavalescos possuem nomes de antigas tribos de índios. O destaque do Carnaval do Uruguai está na apresentação de grupos teatrais centenários chamados de murgas. Em geral, as murgas são compostas tradicionalmente por homens que se vestem com roupas inspiradas na commedia dell’arte, como o Pierrô, a Colombina e o Arlequim. Pintam o rosto com maquiagem circense que nos remete ao teatro de rua medieval e saem às ruas em coro tocando instrumentos de percussão. A temática do espetáculo cênico das murgas, que dura quarenta e cinco dias, está centrada na sátira política e nos fatos passados ou recentes da história uruguaia. No México, muitas cidades possuem festas de Carnaval, de variados formatos, mas os maiores eventos acontecem nas cidades portuárias. Em Vera Cruz, as comemorações desta data são marcadas por queimas de fogos para espantar o mau humor, por exuberantes cortejos multicoloridos de carros alegóricos, música de base folclórica e muita tequila. Outra forma particular de brincadeira mexicana nesses dias é as pessoas jogarem e quebrarem cascarones (um ovo cheio de confetes, uns nos outros. A figura do diabo é muito forte nos festejos carnavalescos da Bolívia. O caráter religioso do Carnaval, com a presença da luta do bem contra o mal, sincretizados respectivamente nas figuras da Virgem Maria e do demônio, é bastante comum nos países de colonização europeia devido à propagação forçada da fé cristã por parte dos colonizadores. Na cidade de Oruro, o destaque está na cerimônia com aspectos de religiosidade, a Diablada, na qual os brincantes se fantasiam de seres do inferno para celebrar a Virgen do Socavón. O Carnaval de Oruro é o maior evento cultural periódico da Bolívia e foi declarado Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade em 2001 pela UNESCO. Nesses dias, ocorre um préstito com dezenas de grupos de mascarados endiablados, que se fantasiam de satanás, incas e conquistadores espanhóis. Outra característica curiosa e marcante da celebração carnavalesca boliviana são as Morenadas ou Dança dos Morenos. É uma dança do altiplano andino onde os bailarinos se disfarçam como negros mascarados com rasgos exagerados. Nos países latinos, as roupas confeccionadas para brincar o Carnaval adquirem cores fortes e formatos exóticos, reflexo dos costumes e das manifestações folclóricas locais, nos quais naturalmente elas se baseiam, refletindo ainda o clima quente predominante dessas terras. 4º SETOR CARNAVAIS CRIOULOS As raízes culturais do continente africano foram espalhadas pelo mundo quando o branco invasor levou os negros à força de sua terra natal – e com eles, a sua arte e seus costumes – para servir de mão de obra escrava nas terras conquistadas, repletas de riquezas a serem exploradas. Mas, para alguns povos africanos, foi preciso resistir ao aniquilamento cultural em sua própria casa, principalmente através de suas referências religiosas e musicais ancestrais. Uma região cuja influência cultural dos negros se manifesta nos festejos carnavalescos é a cidade norte-americana de Nova Orleans. Conhecido como Mardi Grass, terça-feira gorda em francês, é o maior carnaval dos EUA e surgiu quando negociantes fundaram o clube “The Mystick Krewe of Comus”, em 1857 e fizeram um desfile com monumentais carros alegóricos, tendo à frente negros com archotes. A mistura da herança africana com outras sociedades escravistas do Novo Mundo firmou suas próprias características e denominou-se de “tradição afro-creole”. A simulação carnavalesca mais peculiar desta tradição é o ritual denominado Kwore Duga, em que foliões mascarados montados em cavalos de pau encenam danças cômicas e lascivas. Nas festas realizadas nos bairros em que predominam moradores negros, comandadas pela associação Rei Zulu, há uma mistura de ritmos, como o jazz e o blues, e os integrantes se vestem ricamente como índios. O Carnaval de Angola nasceu e se desenvolveu com muita luta contra a repressão do poder público, o qual, como ocorreu no Brasil, com o tempo e por interesses políticos e econômicos, passou a organizar e controlar os festejos carnavalescos. Hoje os angolanos, adaptados à modernidade, conseguem preservar suas raízes, exibindo-se pelas ruas com muito semba e kuduro no pé. Desfilam grupos fantasiados com pequenas alegorias, espécies de blocos com danças coreografadas ao som de apitos e da cantoria em coro dos participantes. Conjuntos musicais também se apresentam num ritual de recreação, usando trajes típicos de sua história, como roupas usadas por guerreiros de antigas tribos. As tradições trazidas por imigrantes africanos também são bastante acentuadas em pequenas ilhas como Trinidad e Tobago. No período carnavalesco, o ritmo executado é o calypso, um estilo musical afro-caribenho, criado por escravos no século dezenove. Diversas bandas, nas quais sobressaem os tambores e as claves, com seus reis e rainhas, concorrem em competições musicais desfilando pelas ruas, com a participação maciça da população e dos visitantes, que costumam usar fantasias decoradas com penas e lantejoulas. Também na ilha de Tenerife, a música afro-caribenha executada por bandas embala a multidão foliã fantasiada que invade as ruas para se divertir com a malemolência do ritmo. Em Tenerife existem outras formas de se brincar, como a cavalgada, trazendo a Corte do Carnaval anunciando o início dos festejos, concurso de automóveis antigos e, na terça-feira gorda, o curioso enterro da sardinha, que ocorre também na Espanha. Uma grande confraternização das raças ocorre ainda nos festejos momescos da Colômbia. A música e a dança resgatam a cultura mestiça do país e os negros colombianos mostram a força das tradições trazidas por seus ancestrais escravos, vestindo roupas, adereços e artesanatos carnavalescos de cores de tons intensos. Em Barranquilla, desfilam pessoas com trajes exóticos, carros alegóricos e grupos folclóricos dançam ao som de salsa e rumba. Em Pasto, acontece o notável Carnaval de Negros e Brancos, com grande participação popular. Formado por expressões culturais camponesas, no passar do tempo foram se agregando elementos das festividades espanholas e africanas, como os cosméticos, o talco e as carruagens contendo gigantescas esculturas construídas por artesãos locais. As celebrações carnavalescas com características marcantes da raça negra estão espalhadas pelo mundo todo. Elas são o retrato da resistência de um povo que, por meio de suas simbólicas vestimentas, músicas e danças características, revivem, ritualisticamente, os aspectos culturais de seus antepassados. 5º SETOR CARNAVAIS DO BRASIL O Brasil é conhecido por ser um país mestiço, cuja miscigenação inicialmente deu-se a partir da relação entre os colonizadores e o indígena nativo. Os negros africanos escravizados que vieram depois também fazem parte das primeiras etnias que iniciaram a mistura do nosso povo, trazendo na bagagem um ritmo sincopado, utilizado principalmente nos seus rituais religiosos, que deu origem ao samba. A cultura dos cultos e dos folguedos afro-brasileiros se espalhou por todas as regiões, adaptando-se às características de cada localidade. Sem contar com as influências das tradições trazidas pelos diversos imigrantes que para aqui também vieram. Um ritmo e dança nordestinos bastante apreciados nos dias de Carnaval é o frevo, com música de compasso acelerado e passos rápidos e acrobáticos. Os dançarinos apresentam-se com roupas leves utilizando sombrinhas coloridas, o que imprime mais graça na execução coreográfica ligeira da dança. Hoje o Carnaval de Olinda é uma das maiores e autêntica festa popular do Brasil, atraindo todo ano milhares de foliões de vários recantos do país e do Exterior. A interação com a rica diversidade cultural do Nordeste, representada por troças, clubes, caboclinhos, maracatus e bonecos gigantes, aliada ao calor do frevo e à descontração e alegria do povo da cidade, tornam a folia olindense irresistível para um contingente cada vez maior de foliões. Há também uma gama de manifestações carnavalescas regionais. Oriundo da zona da mata norte de Pernambuco, o Maracatu de baque solto surgiu no final do século XIX, e representa uma mistura de dança e teatro com alguns traços da cultura indígena, que traduz a saga de homens e mulheres que trabalham nos canaviais. Em Nazaré da Mata, atualmente existem 20 grupos de maracatus com seus caboclos de lança, figuras exóticas que usam chapéus de fitas coloridas, se vestem com roupas bordadas artesanalmente, com chocalhos, o rosto pintado de urucum, óculos escuros, cravo branco na boca, carregando uma lança comprida. Eles se apresentam caminhando nos três dias de Carnaval no Maracatu de Orquestra, pelo interior de algumas cidades nordestinas. Um dos mais tradicionais personagens do carnaval de rua mantém viva a cultura popular nesta época do ano. São os Clóvis, ou bate-bolas, foliões que saem fantasiados em grupos e adoram assustar a criançada. Atenção, vizinhança! Os Clóvis estão na rua! Há décadas estes personagens mascarados e multicoloridos brincam o carnaval nas ruas da periferia do Rio. No século XIX, o Clóvis era interpretado por pessoas que se vestiam com macacões coloridos e usavam máscaras. Além de assustar crianças e até adultos, o bloco de Clóvis resiste, principalmente nos subúrbios, como digno representante do carnaval de rua carioca. Como qualquer festa carnavalesca, a dos Clóvis é uma celebração da liberdade, da alegria. As roupas e adereços são os instrumentos dessa competição. Nos momentos que antecedem a saída à rua, os integrantes de todas as turmas gritam que têm a roupa “mais bonita! a mais bonita!”. Essa multiplicidade racial e o tamanho continental do país fizeram com que o Carnaval brasileiro ganhasse uma variedade de formas. A mais comum, existente em quase todos os estados com o termo genérico de Carnaval de Rua, são os blocos e os cordões, formados essencialmente por um conjunto de percussão e uma porta-estandarte carregando o símbolo e o nome do grupo. Os blocos e cordões, em geral, executam as tradicionais marchinhas e costumam arrastar uma animada multidão, fantasiada ou não, por onde passam. Outro simpático grupo de mascarados típicos são os Papangus, que desfilam pelas ruas da cidade agreste pernambucana de Bezerros, em blocos animados por orquestras de frevo. Fantasiam-se com longas e estampadas túnicas e escondem o rosto todo com máscaras de papel-machê. A brincadeira está em o folião se manter no anonimato, para se divertir à vontade sem ser identificado, por isso procuram confeccionar suas roupas em sigilo para não serem desmascarados antes da festa. Os brincantes costumam comer angu, geralmente oferecido pelos moradores locais, durante visitas dos grupos que caem na folia. O Carnaval de Bezerros, intitulado “Folia do Papangu”, revela toda a cor, criatividade, beleza e magia de uma festa que tem o poder de reunir num só lugar raças e crenças diversas. Com efeito, o Carnaval mais famoso do Brasil é o do Rio de Janeiro, marcado pelos desfiles das escolas de samba, agremiações carnavalescas que constituem o berço do samba. Os grandiosos desfiles, compostos por grandes alegorias e figurantes fantasiados a partir de um enredo, são bastante apreciados e transmitidos para o mundo todo. Embora o Carnaval seja multifacetado e complexo, em qualquer manifestação carnavalesca, a fantasia celebra o prazer de sermos outros num período determinado, numa deliciosa desconstrução social democratizante, onde todos podem ser o que quiserem, assumindo ou trocando de papel. É uma festa popular agregadora, de adesão, em que todos são protagonistas e todas as classes participam em comunhão numa torrente de alegria, formando agrupamentos humanos em busca de prazer e diversão. Os festejos carnavalescos sofrem mutações e se ramificam, adaptando-se à cultura e às tradições de cada povo. Nesses dias, o ridículo é permitido e o sorriso, obrigatório. A comicidade, o bom humor e a ironia são preponderantes. O Carnaval é um meio de expressão, no qual a louvação a deuses pagãos é possível e o povo mostra sua face, suas origens, formando um caldeirão cultural de criatividade, num impressionante caos organizado. No Carnaval, soltamos o grito preso na garganta, tecemos fios de histórias, trançamos idiomas, costuramos memórias e construímos fantasias impregnadas de poesias e saberes populares. Danças, festejos, roupas e sorrisos conduzem esse olhar sobre a cultura dos povos, onde sentimos o Mundo em Carnaval com o coração, alcançando os quatro cantos ao sabor dos quatro ventos.
Severo Luzardo Filho
Julio Cesar Farias
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Mário de. Danças Dramáticas do Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2002.
ARAÚJO, Sivonaldo. Máscaras de Bezerros. Recife: Grafica Fac Form, 2007.
CABRAL, Sergio. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1996.
COSTA, Haroldo. O Rio negro no Carnaval. Artigo publicado em Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares – Estudos de Carnaval, Vol.6, pág. 197, Rio de Janeiro: UERJ, Instituto de Artes, 2009.
DA MATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1979.
FARIAS, Julio Cesar. O Enredo de Escola de Samba. Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2002.
FERREIRA, Felipe. O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.
GÓES, Fred. Antes do Furacão: o Mardi Gras de um folião brasileiro em Nova Orleans.
MATTOS, Regiane Augusto de. História e Cultura Afro-Brasileira: Mãe África. São Paulo: Contexto, 2007.
PEREIRA, Aline Valadão Vieira Gualda. Os bate-bolas do Carnaval contemporâneo do Rio de Janeiro. Artigo publicado em Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares – Estudos de Carnaval, Vol.6, pág. 115, Rio de Janeiro: UERJ, Instituto de Artes, 2009.
PIMENTEL, João. Blocos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
PRESTES FILHO, Luiz Carlos. Por debaixo da Máscara de Montevidéu. Rio de Janeiro: 2010.
VASCONCELOS, Carlos. Identidade Oculta. Pernambuco: Gráfica Santa Marta, 2009.
Obs.: Também foram consultados sites e consulados dos países e lugares citados no enredo.
Sinopse da Santa Cruz, carnaval 2011
Paz e amor, o sonho não acabou
Justificativa:
Os jovens participaram dos acontecimentos com uma intensidade nunca vista antes na história. Foi uma época que prometeu grandes mudanças: na tecnologia, na moda e nos comportamentos, na economia e na política.
Minissaia – Rock – Televisão - Computadores – Guerrilha – Viagem à Lua – Liberdade sexual – Festivais – Cabelos compridos – Estudantes enfrentando a polícia – Guerra do Vietnã – Feminismo - Revolução
O mundo inteiro parecia querer mudar.
Mas, no final, pouca coisa se transformou profundamente.
O sistema era mais forte do que se pensava. O sonho acabou?
PAZ E AMOR! O SONHO NÃO ACABOU.
Jovens das décadas de 60 e 70 viveram o grande sonho de que o mundo poderia mudar para melhor. O sentimento de que nascia uma nova era contagiava corações e mentes.
Foi uma geração que lutava pelas mudanças políticas, sociais e culturais. A ideia básica era contestar o sistema. A juventude tinha pressa.
“Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora,
Não espera acontecer.”
(Geraldo Vandré)
Todas as instituições eram contestadas, repensadas, refeitas.
"Abaixo a Repressão!"
"É proibido proibir!"
A Humanidade pensava viver a aurora de uma nova era.
"Um dia, todos serão livres, iguais e amigos" (Martin Luther King).
Nesta época teve inicio uma grande revolução comportamental como surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais.
NOVOS COSTUMES E COMPORTAMENTOS
Os jovens acreditavam que não bastava transformar a estrutura econômica e o Estado. Era preciso mudar a própria maneira de se comportar.
Os homens começaram a usar cabelos compridos, enquanto as moças vestiam minissaias. As roupas eram coloridas, cheias de flores e de imagens psicodélicas.
As mulheres tornaram consciência e que não eram inferiores aos homens e que deveriam ter os mesmos direitos.
Jeans, discos, refrigerantes, alimentos e carros passaram a ser amplamente vendidos para uma sociedade de consumo composta basicamente por jovens.
A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
A ciência e a tecnologia se desenvolveram amplamente nesta época.
Em 1963, foi criado o gravador com fitas cassetes;
Em 1967, realizou o primeiro transplante de coração bem-sucedido, pelo Dr. Barnard;
Em 1967, os americanos se tornaram pioneiros no desembarque de um homem na lua.
ROCK E REBELDIA
A música viveu a colorida explosão do rock através de grandes nomes como: Os Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Elvis Presley.
No Brasil a música popular ocupava seu espaço, levando as multidões aos festivais. Surgia nos palcos uma nova geração de artistas: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, Wanderléia, Roberto Carlos e Chico Buarque, entre outros.
Através das letras, os músicos protestavam e exprimiam sua revolta contra tudo e contra todos.
HIPPIES: UMA PROPOSTA DIFERENTE
Nem todos os jovens da época sonhavam com revoluções.
Muitos aderiram ao lema. "Paz e Amor" para transformar o mundo. Eram os hippies.
Vivendo em acampamentos, andavam em grupos, admiravam a cultura oriental, vestiam batas indianas, usavam barba e cabelos compridos, apreciavam a alimentação vegetariana e a liberdade.
Para um mundo melhor, os hippies propunham o extermínio das mentiras, cobranças, castigos, guerras e neuroses da sociedade de consumo.
Faça amor, não faça guerra!
PAZ E AMOR! O SONHO NÃO ACABOU.
A mudança radical sonhada pelos jovens foi bonita e marcante. Entretanto, não se realizou. O mundo continuou sendo o mesmo, talvez até mais contraditório. Mas, os ideais de um mundo melhor, mais justo e igual para todos permanecem.
No coração das atuais gerações ainda pulsam a coragem e a vontade de transformar o planeta. Os ideais de paz e amor continuam povoando a imaginação dos jovens.
Atravessando décadas, os jovens de todas as gerações ainda sonham, provando que, apesar de todos os obstáculos o sonho não acabou.
O primeiro passou
O segundo amor passou
O terceiro amor passou
Mas, o coração continua.
(Carlos Drummond de Andrade)
Adaptação: Carlos Muvuca
Sinopse da Viradouro, carnaval 2011
Quem sou eu sem você?
A Unidos do Viradouro, porta-voz de uma expressão artístico-popular que fascina multidões, traz em seu glorioso pavilhão vermelho e branco um coroado aperto de mãos que expressa a característica mais marcante de sua aguerrida e apaixonada comunidade: a união entre os seus componentes, união, aliás, que está lá, estampada, no próprio nome da agremiação. É compromisso antigo...
Ingrediente fundamental em todo relacionamento humano, a união ganha contornos destacados no agrupamento de pessoas que se reúnem em busca da realização de objetivos e/ou sentimentos comuns.
Dentro desse contexto, pode-se dizer, junto com o dito popular, que “a união faz a força”! Sozinhos não somos ninguém, juntos - escola e comunidade - chegaremos muito além do que se possa imaginar.
Essa percepção de que cada indivíduo busca e alcança o seu complemento no “outro” é a síntese do que se convencionou chamar de comunidade. Livre da solidão infrutífera, o homem se “abraça” ao seu próximo e forma as suas tribos, grupos, agremiações...
Inicialmente, como havia apenas os sons, os homens primitivos utilizavam algumas artimanhas para formar uma coletividade. Imitando sinais da natureza, eles se comunicavam por meio de gestos, gritos, grunhidos e pulos, formando, então, os primeiros bandos.
A partir do domínio do fogo, dele se valem não somente para emitir sinais de fumaça e para esquentar os couros esticados em troncos de madeira, fazendo neles ecoar as batidas de seus sentimentos. O fogo, rápida oxidação de um material combustível, libera calor, luz, energia...
As tintas, por sua vez, eram aquecidas para pintar as paredes das cavernas com representações de caçadores e animais. Eram as inscrições rupestres, primeiros sinais de uma linguagem articulada, quando o “uga-uga” não era mais suficiente para o pleno entendimento entre as “partes”. Percebe-se, então, que a comunicação por meio da arte sempre foi característica própria do ser humano.
Assim, com o saber alcançando registro e forma fora do corpo, fez-se o verbo, e a comunicação, seguindo a evolução da inteligência humana, deu os seus passos definitivos para a eternidade.
Precursores da escrita cuneiforme, os sumérios gravavam suas cifras e sílabas em tabuletas de pedra e barro cozido, exemplo também seguido pelos fenícios ao construírem o primeiro alfabeto, formado apenas por consoantes, ao tempo em que os egípcios organizavam seus hieróglifos que podiam ser lidos em vários sentidos nas folhas de papiro. De seu lado, os gregos elegiam o pergaminho, introduzindo as vogais no alfabeto fenício, vindo, a seguir, a criação do papel pelos chineses, já no período da dinastia Han.
A palavra escrita, então, tornou-se sagrada, com os livros transformados em pilares das sociedades e religiões. Por intermédio deles, o homem passou a transmitir sua história e ideias aos seus semelhantes e aos seus descendentes. Idealizava-se, assim, uma teoria acerca de uma “língua mãe”, ou “língua natural”, falada por toda a humanidade em um tempo muito remoto e que confirmaria lendas milenares. A mais famosa delas situava na Suméria, região onde se localizava a Torre de Babel, o nascimento das raízes de todos os idiomas do mundo.
Consta que os clãs dos descendentes dos filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé), em sua marcha para o Oriente, encontraram-se e puseram-se a construir um enorme zigurat para fazer com que um dia o seu ápice penetrasse nos céus. Eis que, porém, o Divino resolveu intervir e, num simples gesto, todos passaram a pronunciar palavras em línguas diferentes e cada grupo partiu para um canto distinto da Terra, tamanha foi a desavença entre os homens.
Diante da diversidade de idiomas e a conseqüente dificuldade de se comunicar, a humanidade saiu em busca do entendimento perdido, fruto dos mais de três mil idiomas falados no mundo de hoje.
Fez-se clara, então, para o homem, a percepção de que era a sua capacidade de produzir, armazenar e fazer circular as informações a força motriz de sua evolução e sobrevivência como espécie, advindo, então, a convicção de que o isolamento oriundo das longas distâncias precisava ser vencido em sua caminhada em direção ao outro.
Assim, a proposta de se levar a cabo um projeto que tornasse cada vez mais rápida a difusão das mensagens deu início a formas de relacionamento bem mais amplas.
Para além do horizonte, Salomão lançou pombos no transporte ágil de recados através de seu vasto império.
Em Roma, o cursus publicus sofisticou o diligente sistema postal de forma segura; Johanes Gutenberg inventou a prensa e multiplicou a reprodução da informação, enquanto Samuel Morse criou o telégrafo e possibilitou o contato sonoro instantâneo.
Por seu turno, Alexander Graham Bell conseguiu falar e ser ouvido por um fio com seu telefone elétrico. Já as ondas do rádio de Guglielmo Marconi alcançaram multidões.
A televisão uniu o som à imagem e trouxe os acontecimentos para dentro de nossas casas. Desenvolvemos o computador e percebemos que ele seria mais útil em conjunto com outros do que sozinho.
Influenciados por esta lição milenar, conectamos bilhões de pessoas no mundo inteiro, rompendo fronteiras e unindo povos, culturas e nações através da internet, levando cada indivíduo a fazer cada vez mais parte de um todo, seguindo, assim, em direção a uma existência humana alicerçada numa consciência de unidade, como na sonhada “aldeia global”.
Por outro lado, a procura pelo acesso total ao nosso próprio mundo nos impulsionou até para fora dele, pois nenhuma forma de comunicação eletrônica funcionaria hoje se não fossem os satélites viajando pelo espaço.
Em pouco tempo, juntaremos os planetas do sistema solar com a internet terrestre para formar uma internet interplanetária em um sistema já testado na Estação Espacial Internacional. E, como a simples ideia de estarmos sós sempre foi inquietante, vasculhamos o cosmos em busca de algum sinal de vida inteligente. Enviamos sinais e fantasiamos, imaginando contatos de civilizações extraterrestres em nossa galáxia, a permitir uma integração entre mundos no universo.
A nossa multicitada necessidade de viver em comunhão nos levou para muito além do que poderíamos imaginar e crer racionalmente. Fomos para outras dimensões, em universos paralelos, estabelecendo diálogos com planos espirituais superiores, solidificando o sentimento de que não estamos ou somos sozinhos. Várias culturas nos ensinam os possíveis caminhos para encontrarmos um portal, um elo com este “multiuniverso”.
Exu fala todas as línguas e trabalha como mensageiro entre o mundo material e o espiritual, entre os orixás e os homens; oráculos, como o jogo de búzios das religiões africanas, as runas nórdicas dos vikings, as cartas de baralho e tarôs também nos servem como formas de conexão com os deuses.
Os próprios seres humanos podem servir de instrumento para a comunicação entre planos. Valendo-se do poder da mediunidade, Chico Xavier encontrou no mais sublime dos sentimentos – o amor ao próximo e à vida – a possibilidade e a capacidade de sermos compreendidos em qualquer parte, em qualquer mundo, por qualquer ser.
Na verdade, passamos milênios buscando uma forma de estarmos sempre juntos (em bandos, tribos, grupos, nações, fraternidades, torcidas, agremiações, entidades etc) para descobrirmos a mais simples e libertadora lição de que o amor pode tudo e nada se pode contra ele. O amor existe dentro de nós, nos aproxima, nos une, nos fortalece no infortúnio, nas dificuldades. Foi ele o grande diferencial entre o ontem e o hoje e será a mola propulsora entre o hoje e o amanhã. A Unidos do Viradouro pode ter certeza absoluta disso
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
ALBERTINI, Lino Sardos. O Além Existe. São Paulo: Edições Loyola, 1989.
BARBROOK, Richard. Futuros Imaginários: das máquinas pensantes à Aldeia Global. São Paulo: Pierópolis, 2009.
CHERRY, Colin. A Comunicação Humana. São Paulo: Cultrix, 1971.
DOYLE, Arthur Conan. História Do Espiritismo. São Paulo: Pensamento, 2004.
LIMA, Sandra Lúcia Lopes. História da Comunicação. São Paulo: Plêiade, 2000.
MAIOR, Marcel Souto. As vidas de Chico Xavier. São Paulo: Planeta.
MATTELART, Armand. Comunicação-Mundo: história das técnicas e das estratégias. Petrópolis: Vozes, 1994.
Mc LUHAN, Herbert Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1971.
Ronaldo Rogério. de Freitas. O Livro de Ouro do Universo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
STÖRIG, Hans Joachim. A Aventura Das Línguas - Uma História Dos Idiomas Do Mundo. São Paulo: Melhoramentos, 1993.
Sinopse da Renascer de Jacarepaguá, carnaval 2011
As águas vão rolar na Sapucaí. Vão descer a serra, guiando bandeiras e conquistas. Atravessando o tempo fazendo brotar da terra molhada, o café a ser preparado no fogão a lenha das fazendas. O cheiro bom da comida ainda vem da casa-grande. O trotar dos cavalos, o barulho dos riachos, as praças e as igrejas. Tudo como antigamente...
Do alto da serra brotam as nascentes e as lendas que alimentam a terra e o imaginário, a biodiversidade e diversidade de um povo que vive das águas. Águas que curam, águas que encantam, águas que embriagam, águas que guiam os que se aventuram nas florestas, águas que correm sem parar. E que levam e trazem milhares de pessoas ao longo da história. Em busca do ouro ou da colheita. No lombo do burro ou de trem, essa terra das águas carregou suas riquezas através do tempo cultivando os gostos e as cores de uma cultura que preserva a memória e a ousadia. De explorar a serra e desafiar a natureza, descendo as corredeiras, escalando as montanhas, saltando num vôo de tirar o fôlego. Ou simplesmente sentar a beira do riacho e pescar, caminhar nas trilhas, caminhos de tempos que se sobrepõe, e que levam a lugares por onde passaram muitas gerações. Na adrenalina dos esportes de aventura, nos passeios da Maria fumaça, nas delícias dos sabores e saberes das fazendas, correm as águas encantadas e a vida na beira dos rios.
Gostou do clima? Então mergulhe nas Águas de Lindóia, Amparo, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro: cidades do circuito das águas que vão atravessar a Sapucaí em março de 2011. O carnaval da Renascer vai beber em várias fontes e mostrar as delícias e histórias de um povo que conhece o poder das águas.
Edson Pereira
Isabel Azevedo
Simone Martins
Ana Trindade
Paulo Barros
Sinopse da Alegria da Zona Sul, carnaval 2011
Assim como o vento que sopra e ninguém vê, o tempo passa transformando tudo, às vezes sem ninguém notar...
O que fica é o que o vento traz e o tempo nos deixa impressos a sabedoria e o conhecimento vindos de outras épocas, como que trazidos pelo vento...
Foi assim que cheguei nestas terras: trazida pelo vento. Venho de outra época para deixar aqui um relato de minha missão. Vim predestinada: descendente de africanos, nascida em Salvador, escolhida pelos orixás. Chamo-me Eugênia Anna Santos - Mãe Aninha. Vou contar a todos minha história, que começa muito antes de meu nascimento...
Há muitas gerações passadas, em tempos incontáveis, havia uma terra chamada Oyó. Lá havia um rei. Xangô era rei de Oyó. O mais temido e respeitado de todos os reis. Mesmo assim, um dia, seu reino foi atacado por um grande número de guerreiros que invadiram sua cidade violentamente, destruindo tudo, matando soldados e moradores numa tremenda fúria assassina. Xangô reagiu e lutou bravamente durante semanas.
Um dia, porém, percebeu que a guerra tornara-se um caminho sem volta. Já havia perdido muitos soldados e a única saída seria entregar sua coroa aos inimigos. Resolveu então procurar por Orunmilá e pedir-lhe um conselho para evitar a derrota quase certa. O adivinho mandou que ele subisse uma pedreira e lá aguardasse, pois receberia do céu a iluminação do que deveria ser feito. Xangô subiu e, quando estava no ponto mais alto do terreno, foi tomado de extrema fúria. Pegando seu Oxê, machado de duas lâminas, começou a quebrar as pedras com grande violência. Estas, ao serem quebradas, lançavam raios tão fortes que em instantes transformaram-se em enormes línguas de fogo que, espalhando-se pela cidade, mataram uma grande quantidade de guerreiros inimigos. Os que restaram, apavorados, procuraram os soldados de Xangô e renderam-se imediatamente pedindo clemência.
Levados à presença do rei, os presos elegeram um emissário para servir-lhes de porta-voz. O homem escolhido foi logo se atirando aos pés de Xangô. Reclinando-se, pediu perdão. Humilhando-se, explicou que lutavam, não por vontade própria e sim forçados por um monarca, vizinho de Oyó, que tinha um grande ódio de Xangô e os martirizava impiedosamente. Xangô, altamente perspicaz, enxergou nos olhos do guerreiro que ele falava a verdade e perdoou a todos, aceitando-os como súditos de seu reino. Foi assim que ele ficou conhecido como o orixá justiceiro, aquele que perdoa quando defrontado com a verdade, mas que queima com seus raios os mentirosos e delinqüentes.
Após o desaparecimento do lendário rei Xangô e sua transformação em orixá, seus sacerdotes se reuniram a fim de perpetuar sua memória. Esses ministros, antigos reis, príncipes ou governantes de territórios conquistados pela bravura de Xangô, não quiseram deixar extinguir a lembrança do heroi na memória das gerações futuras.
Formou-se, assim, um conselho encarregado de manter vivo o culto ao rei de Oyó, organizado com os doze ministros que o tinham acompanhado em terra: seis ao lado direito e seis ao lado esquerdo. Seis para condenar e seis para absolver.
Esta história eu ouvi desde muito cedo, assim como outras, como, por exemplo, a chegada de meus antepassados aqui no Brasil...
Em suas mãos, sob suas unhas, restava, ainda, um pouco da terra da Mãe África; em seu peito a dor, a solidão, o medo e a incerteza. Em seu olhar o vazio. Atravessando o mar tenebroso rumo ao desconhecido, enfrentando tormentas sob condições desumanas. Para muitos a vida, longe da terra mãe, já não valia a pena. Os que aqui desembarcaram vieram sob o acalento da mãe do mar. Trouxeram em sua alma a saudade e junto com a saudade um tesouro que ninguém poderia tirar: sua cultura. Graças aos orixás encontraram forças para suportar tamanha injustiça.
Muitas histórias eram contadas no frio da senzala. Nasci em tempo de escravidão, porém nasci livre, escolhida por Xangô, pois trazia no peito o fogo sagrado daqueles que têm sede de justiça. Fui iniciada no culto da nação Ketu por Dona Marcelina de Xangô, no Candomblé do Engenho Velho, apesar de meus pais serem descendentes da nação Gurunsi.
Foi assim que recebi o nome de Obá Biyí, que quer dizer “Xangô Nasceu aqui, nesta terra”. Conheci um Brasil em formação, Brasil de preconceitos e injustiças, Brasil onde as raças estavam se misturando e a cultura negra era marginalizada.
Como Iyalorixá fundei o Ilê Axé Opó Afonjá - “Casa de Força Sustentada por Afonjá” (uma das doze qualidades de Xangô). Estava dando o primeiro passo para a realização de minha missão... Entretanto, ainda havia muito a ser feito. A missão divina de transformar o mundo através dos ensinamentos dos orixás ainda estava longe de acontecer, pois queria ver meus descendentes espirituais “usando anéis de doutores” aos pés de Xangô.
Foi assim que, auxiliada pelo Babalaô Martiniano Eliseu Bonfim, elo de ligação do Opó Afonjá com a Nigéria, instituí, no Novo Mundo, o Corpo dos Obás ou Doze Ministros de Xangô, responsáveis pelo destino civil e religioso do Ilê, sendo inspirados e guiados pela sabedoria do grande rei de Oyó.
Os doze obás são divididos em duas falanges: seis da direita (Qtun) e seis da esquerda (Ósi), representando os dois lados da justiça, assim como o Oxê, machado de duas lâminas de Xangô. Os obás da direita têm direito à voz e voto, os da esquerda, à voz. Os obás são especialmente chamados de “pai” pelos filhos de Xangô e sentam-se ao lado da Iyalorixá, como ministros ao lado de seu rei. Têm a missão de preservar as tradições religiosas e lutar pelo crescimento e pela respeitabilidade da religião africana.
Missão cumprida, eis que chegou a hora.... o momento em que Icú – “a morte” – me levaria para Orum – “o lugar de eterno recomeço” – para juntar-me ao meus dignos ancestrais. Do alto acompanho meu Ilê, meu legado, meus filhos... Assim como Xangô, o rei de Oyó, zela por seu povo do alto da pedreira...
Sigo em paz, ciente que meu trabalho teve continuidade através da luta incansável e abnegada de minhas sucessoras: Mãe Bada, Mãe Senhora, Mãe Ondina e Mãe Stella, sacerdotisas escolhidas pelos orixás após minha partida. Através de seus esforços o Ilê Axé Opó Afonjá prosperou e completou 100 anos de existência, possuindo, hoje, além da escola municipal, o Museu Ilé Ohun Lailai – “Casa das Coisas Antigas”.
Minha maior alegria foi ter visto, ao longo do tempo, grandes expoentes da cultura e da política como Dorival Caymmi, Carybé, Pierre Verger, Jorge Amado, Gilberto Gil, Antônio Olinto, Muniz Sodré, Ildásio Tavares, Antonio Luis Calmon, Camafeu de Oxóssi, Antonio Albérico Santana, Mário Cravo, Vivaldo Costa Lima, Demeval Chaves entre outros, serem iniciados como Obás de Xangô para que se tornassem a voz do “fogo e do trovão”, a voz da justiça e da retidão. Protetores da cultura afro-brasileira.
Para que cada um receba apenas aquilo que por direito lhe pertença. Nem Mais, nem menos...
Como o vento meu tempo passou...Através dos doze Obás de Xangô minha obra ficou imortalizada...em honra ao Pai da Justiça.
Eugênia Anna Santos – Mãe Aninha de Afonjá – Iyá Obá Biyí
Sabemos que muito trabalho resta a ser feito, mas através da proteção de Xangô conseguiremos, enfim, ter um mundo mais justo para todos os povos, com perfeito entendimento e igualdade entre todas as raças, culturas e religiões, basta que para isso cada um de nós assuma sua missão de obá da justiça, de Obá de Xangô.
Este é o engajamento da Alegria da Zona Sul para o Carnaval 2011.
JUSTIÇA!!!
No centenário de criação do Ilê Axé Opó Afonjá, levaremos esta hirstória para a avenida, fazendo com que o legado de Mãe Aninha, esta importante expoente de nossa cultura, seja conhecido por todos.
Carnavalesco Lane Santana
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Confira os logotipos dos enredos do Grupo Especial, carnaval 2011
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Maria Clara Machado de volta a Sapucai
Confira samba-enredo, União da Ilha 2003
"Chega em seu cavalinho azul uma bruxinha boa. A Ilha trouxe do céu: Maria Clara Machado"
Compositores: Marcio André, Almir da Ilha, Miguel, Roxinho e Tote
Confira samba-enredo, União da Ilha 2003
Vou me vestir de alegria...
Sonhar...Sonhar!
Brincado nessa fantasia
No faz de conta atravesso o mar
O tablado entra em cena
E essa avenida vai se transformar
Tem magia e emoção... Tem bonecos da Ilusão
E o fantasminha tem medo de gente
Bruxinha boa, irreverente... Que legal!
Varre a tristeza e faz meu carnaval!
Maria Clara Machado (Meu Amor)
Quero ser o seu menino
No mundo que você criou
Bye Bye Dragão (Cheguei)
Minha princesa eu agora sou seu rei
Tem bicho a bessa lá na Arca de Noé
Em Tribobó o couro como leva fé
Rolou trambique lá no circo
E quem dançou foi o leão
Cadê as cebolinhas? ..... Diz aí camaleão!
Que fuzuê! Que confusão!
A estrela do meu céu, vem aí
Vem no cavalinho azul, vamos aplaudir
Vem com a Ilha na maior felicidade
Vem acordar e sacudir essa cidade!























